domingo, janeiro 17Diário online de Braço do Norte

Grande nevasca completa 30 anos

O início desta semana foi de agitação com a previsão de neve para a região do Vale do Braço do Norte ainda essa semana. As poucas imagens e vídeos que existem da nevasca de 1990, há pouco mais de 30 anos, percorreram e-mails, aplicativos de mensagens e portais de notícias.
A tarde do dia 20 de julho daquele ano foi fria, mas também de encantamento. A população viu a paisagem ficar branquinha como em filme de Hollywood. Em Braço do Norte o fenômeno caiu com maior intensidade e acumulou nas comunidades de Avistoso, Baixo Pinheiral e Pinheiral, localidades entre quatro e doze quilômetros do centro da cidade, com altitudes entre 340 metros e 400 metros acima do nível do mar.
Representante comercial do setor de carnes e embutidos, Milton José Kulkamp estava em Tubarão naquela manhã. Quando retornou para Braço do Norte à tarde, não se falava em outra coisa na cidade. “Os carros, as árvores e o pasto estavam cheios de neve em cima. A criançada se divertiu muito fazendo boneco de neve, ou melhor, tentando”, recorda.
O que chamou a atenção naquela época é que o fenômeno ocorreu em municípios que não integram a rota da neve em Santa Catarina, exatamente como a previsão para este agosto de 2020.
Além de Braço do Norte, também houve registro de neve, em 1990, em Timbé do Sul, Morro Grande, Nova Veneza, Siderópolis, Treviso, Lauro Müller, Orleans, Grão-Pará, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima.
“Até aquele dia eu nunca tinha visto neve. Foi lindo, inesquecível, literalmente um fenômeno! Eu estava na Igreja do Pinheiral e logo em seguida, em agosto, me ordenei padre. Então para mim, pessoalmente, foi uma época muito bonita”, relembra o padre Lenoir Steiner Becker, que tem suas raízes no Pinheiral.

Outras regiões brasileiras e da América do Sul

A massa de ar polar gigante e intensa que começou a se deslocar do Ártico deve avançar sobre a Argentina e seguir para o Brasil, onde mudará bruscamente a temperatura no sul, centro-oeste, sudeste e parte do norte do país.

Na América do Sul, o fenômeno deve atingir Paraguai, Bolívia, Uruguai, Peru e mesmo Equador, Colômbia e Venezuela. Existe a possibilidade de que a influência do ar frio, mesmo que modesta, deve atravessar a linha do Equador e chegar ao hemisfério norte, onde é verão.

No hemisfério sul, os modelos meteorológicos apontam que o fenômeno, que deve atingir praticamente a metade do território brasileiro e grande parte da América do Sul, tem potencial de ser um evento histórico de frio e neve.

“A população deve evitar canais duvidosos e sem fontes, pois os modelos meteorológicos estão em constante mudança. Hoje a previsão é essa, amanhã pode ser outra”, reforça o meteorologista da Epagri/Ciram, Marcelo Martins.

O que diz a previsão do tempo?

Conforme a Epagri/Ciram, as temperaturas seguem em declínio acentuado em Santa Catarina até este fim de semana. Na quinta-feira (20) e sexta-feira (21), a temperatura máxima fica próxima a 10°C no Litoral e Vale do Itajaí, e abaixo desse valor nas demais regiões do estado, não passando de 5°C na Serra.

“Na noite de quinta-feira, o frio intenso e alta umidade favorecem a condição de neve no Planalto Sul. Essa condição estende-se para as áreas altas do oeste, meio-oeste, planalto norte e Florianópolis. Há chance de acúmulo significativo, especialmente na região serrana”, informa o meteorologista Marcelo Martins.

Segundo ele, o frio persiste no fim de semana em toda a região Serrana e Sul catarinense: “Temos ainda uma pequena chance de neve no sábado pela manhã. A partir daí a umidade deve diminuir e neve deve dar lugar para a geada no domingo e na segunda-feira (24)”, completa.

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Folha do Vale