Tratado promete ampliar acesso de produtos do agronegócio brasileiro ao mercado europeu
Brasil tende a ser o principal beneficiado pelo tratado Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia aprovou a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, destravando um dos tratados mais aguardados do comércio internacional. O pacto, iniciado em 1999, cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores e representando aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) global.
O aval foi concedido por 21 dos 27 países do bloco europeu, após a adoção de salvaguardas para proteger o mercado agrícola da União Europeia e do compromisso de redução de tarifas sobre fertilizantes, medida que tende a diminuir custos de produção. Agora, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e passar pelos processos de regulamentação para entrar em vigor.
O texto prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 91% das mercadorias comercializadas entre os dois blocos, ampliando significativamente o acesso de produtos do Mercosul, especialmente do agronegócio brasileiro, ao mercado europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a decisão nas redes sociais e classificou o momento como histórico. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo União Europeia–Mercosul é histórica. A Europa está enviando um sinal forte”, afirmou.
Segundo a Comissão Europeia, países como Alemanha e Espanha defendem o acordo como estratégico para a abertura de novos mercados, compensar perdas decorrentes de barreiras comerciais impostas por outros países e reduzir a dependência econômica da China. Estimativas indicam que cerca de 60 mil empresas europeias que exportam para o Mercosul serão beneficiadas, com economia anual de aproximadamente 4 bilhões de euros em tarifas e procedimentos aduaneiros mais simples.
Do lado sul-americano, os impactos também são expressivos. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que o Brasil tende a ser o principal beneficiado pelo tratado. Até 2040, a implementação do acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul.
Apesar do avanço, o pacto enfrenta resistência dentro do próprio bloco europeu. Países liderados pela França temem o aumento da importação de alimentos mais baratos, o que poderia prejudicar produtores locais. França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica se absteve. As tensões se refletiram em protestos recentes: agricultores poloneses marcharam em Varsóvia com faixas contrárias ao Mercosul, e manifestações com bloqueio de rodovias também foram registradas na França e na Bélgica.
Com o resultado confirmado, a expectativa é de que Ursula von der Leyen viaje ao Paraguai já na próxima semana para formalizar a assinatura do acordo com os países do Mercosul, dando mais um passo para a consolidação do tratado que pode redefinir o comércio entre Europa e América do Sul.