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Celulares nas escolas: proibir ou educar?

Presença dos celulares nas escolas tem gerado debates intensos entre educadores

Braço do Norte - SC, 11/02/2025 12h15 | Atualizada em 13/02/2025 10h44 | Por: Redação
Presença constante do celular pode reduzir o contato interpessoal, afetando habilidades essenciais para o convívio social e a inteligência emocional, ressalta Robson Kindermann Sombrio, psicólogo da Gerência Regional de Educação

    Um novo ano letivo se inicia nas escolas catarinenses em fevereiro e, com ele, os desafios. A presença dos celulares nas escolas tem gerado debates intensos entre educadores, pais e especialistas. Em Santa Catarina, a Lei Estadual nº 14.363/2008 já proibia o uso de telefone celular nas salas de aula das escolas públicas e privadas, segundo a Secretaria de Estado da Educação. Com a sanção da Lei Federal nº 15.100/2025, a Rede Estadual de Ensino segue as diretrizes estabelecidas pela nota técnica n° 001/2025, do Conselho Estadual de Educação de Santa Catarina (CEE/SC), de janeiro deste ano.
    Enquanto alguns defendem a proibição total do uso, outros argumentam que a tecnologia pode ser uma aliada no processo de ensino-aprendizagem. Mas, afinal, qual é a melhor abordagem? Do ponto de vista psicológico, é importante compreender o impacto que os celulares têm no desenvolvimento dos alunos. “Estudos indicam que o uso excessivo desses dispositivos pode prejudicar a atenção, a memorização e até mesmo a socialização. A presença constante do celular pode reduzir o contato interpessoal, afetando habilidades essenciais para o convívio social e a inteligência emocional”, ressalta Robson Kindermann Sombrio, psicólogo da Gerência Regional de Educação.
    Por outro lado, o celular não deve ser encarado apenas como um vilão. Quando bem utilizado, ele pode ser um recurso pedagógico eficiente, facilitando o acesso à informação, estimulando o pensamento crítico e tornando o aprendizado mais dinâmico. “O desafio, portanto, não está no aparelho em si, mas na forma como ele é utilizado no ambiente escolar”, frisa o profissional. A proibição total pode gerar resistência por parte dos alunos e criar um ambiente de conflito, tornando a relação entre escola e estudantes ainda mais desafiadora.
    Em vez disso, a educação para o uso responsável dos celulares pode ser um caminho mais eficaz. “Ensinar os jovens a administrar seu tempo on-line, diferenciar momentos de estudo e lazer e utilizar a tecnologia de forma produtiva são estratégias que promovem um desenvolvimento mais equilibrado”, pondera Robson. A nova lei permite algumas exceções, com o uso restrito a situações excepcionais, como emergências e necessidades de saúde. É o caso da utilização para inclusão e à acessibilidade de estudantes com deficiência; atendimento a condições de saúde e garantia de direitos fundamentais; e também para fins pedagógicos ou didáticos, conforme orientação do professor.
 

O impacto do tempo de tela na juventude: o que esperar no futuro?

    O tempo que os jovens passam diante das telas tem aumentado significativamente nos últimos anos. Entre redes sociais, jogos, vídeos e mensagens, muitos passam mais tempo no mundo digital do que em interações presenciais. Mas quais serão as consequências desse estilo de vida no futuro?
    O excesso de exposição às telas pode impactar diferentes áreas do desenvolvimento. “Estudos já mostram uma relação entre o uso prolongado de dispositivos eletrônicos e dificuldades de atenção, aumento da ansiedade, distúrbios do sono e até prejuízos nas habilidades sociais”, enfatiza Robson Kindermann Sombrio.
    As conversas presenciais estão sendo substituídas por interações virtuais, muitas vezes superficiais. “Isso pode comprometer o desenvolvimento da empatia, da escuta ativa e da inteligência emocional, habilidades essenciais para o convívio social e profissional”, acrescenta.
    Além disso, o tempo excessivo diante das telas pode reduzir as experiências concretas e sensoriais dos jovens, como brincar ao ar livre, praticar esportes e interagir com o mundo real. A longo prazo, isso pode afetar a criatividade, a capacidade de resolver problemas e até a saúde mental.
    Isso não significa que a tecnologia deva ser demonizada. “Ela tem um papel fundamental na educação, na comunicação e no desenvolvimento de novas habilidades. O grande desafio é encontrar equilíbrio”, pondera o psicólogo. Estabelecer limites para o uso das telas, incentivar momentos off-line e promover o uso consciente da tecnologia são caminhos para minimizar impactos negativos.
   “O que estamos vivendo hoje terá reflexos no futuro. A forma como os jovens lidam com a tecnologia agora definirá aspectos de sua saúde mental, suas relações e seu desenvolvimento pessoal e profissional. Cabe a nós, pais, educadores e sociedade, orientar esse processo para que a tecnologia seja uma aliada e não uma barreira para uma vida equilibrada e saudável”, conclui.

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