Prática de esfregar alimentos na pele antes da introdução alimentar não é recomendada e pode causar efeito contrário
De acordo com a alergologista pediátrica Larissa Machado Carvalho, o desenvolvimento de alergias está diretamente relacionado à forma como o organismo entra em contato com os alimentos Uma orientação que vem sendo compartilhada nas redes sociais como forma de “prevenir” alergias alimentares em bebês tem gerado preocupação entre especialistas. A prática consiste em esfregar alimentos na pele da criança antes da introdução alimentar, com a intenção de identificar possíveis reações. Mas, segundo médicos, o método não é seguro e pode, inclusive, aumentar o risco de alergias.
De acordo com a alergologista pediátrica do Complexo Médico Provida, Larissa Machado Carvalho, o desenvolvimento de alergias está diretamente relacionado à forma como o organismo entra em contato com os alimentos.
“Hoje sabemos, com base em evidências científicas sólidas, que o intestino, quando saudável, favorece a chamada tolerância oral, ensinando o sistema imunológico a reconhecer os alimentos como seguros. Já a pele, especialmente em bebês, pode funcionar como uma porta de entrada para a sensibilização alérgica, principalmente em casos de dermatite atópica ou pele sensível”.
Segundo a especialista, ao invés de testar possíveis alergias, o contato direto do alimento com a pele pode expor o organismo a proteínas de forma inadequada, estimulando a produção de anticorpos do tipo IgE, associados a reações alérgicas, e aumentando o risco de desenvolvimento de alergias alimentares.
Introdução alimentar deve ser feita pela via correta
A orientação das sociedades médicas é clara: a introdução alimentar deve ocorrer pela via oral, de forma gradual e orientada, sem a necessidade de testes prévios na pele.
Em casos de dúvida ou histórico familiar de alergias, a recomendação é buscar avaliação especializada antes de iniciar novos alimentos na rotina do bebê, alerta a médica.
“Cuidar da saúde das crianças também passa por filtrar informações. Nem toda dica compartilhada é segura e, nesse caso, o que parece prevenção pode aumentar o risco”.
O alerta reforça a importância de buscar informações em fontes confiáveis e evitar práticas não comprovadas, especialmente quando envolvem a saúde infantil.