quinta-feira, janeiro 21Diário online de Braço do Norte

Estratégias para contornar a crise

Nesta semana, o IBGE divulgou o PIB (Produto Interno Bruto), índice que mede o total de riquezas produzidas pelo país, do terceiro trimestre de 2020. E que sofreu uma queda de 9,7% em relação aos três primeiros meses do ano. O recuo foi maior que o esperado pelo Governo Federal e pelo mercado.
Apesar desses números, integrantes do setor industrial de Braço do Norte acreditam que o segundo semestre de 2020 será de recuperação econômica. Exemplo disso é o empresário Israel Nack Westphal, sócio proprietário da Osten Confecção, que, no auge da crise gerada pela pandemia, viu-se obrigado a buscar alternativas para manter o faturamento da empresa e, agora, volta a retomar o ritmo da produção. A fábrica atua, basicamente, na costura de calças jeans, como prestadora de serviço para outra empresa que confecciona roupas para marcas nacionais.
“Em suma, os anos de 2018 e 2019 não foram muito bom para nós. Porém, quando começou 2020, parecia que os negócios iriam bombar. Recebemos muitos e pedidos e, em janeiro, já tivemos que contratar pessoal. Fechamos 2019 com cerca de 80 funcionários e, em janeiro, admitimos outros 30”, lembra Israel. “Mas, aí, veio a pandemia. Em abril, não estávamos mais recebendo novos pedidos. Ficamos um pouco sem saber o que fazer. Logo de início, a respeito dos 30 funcionários que havíamos contratados em janeiro, e que ainda estavam no período de experiência, não pudemos dar continuidade ao contrato. E tentamos encontrar uma maneira de continuarmos com a fábrica e manter os demais funcionários”, completa.
Foi então que surgiu a ideia de confeccionar máscaras para prevenção do contágio por coronavírus, do tipo descartáveis, feitas de ‘tnt’. No princípio, o produto era feito à mão, o que tomava muito tempo da equipe. Não era possível produzir em boa quantidade em um tempo ideal. “Estávamos vendendo bem as máscaras, então decidimos comprar duas máquinas, para automatizar um pouco do processo. Durante 40 dias, essas máquinas funcionaram 24 horas, sem parar. Elas faziam quase tudo sozinhas, os funcionários precisavam apenas fazer o acabamento dos elásticos”, conta o empresário.
Porém, após esse período, a oferta de máscaras aumentou e a demanda pelo produto acabou diminuindo. Novamente, a empresa teve que se preparar para um novo desafio. Foi quando os administradores buscaram retomar a produção de calças. “Ligamos para os nossos parceiros na confecção de calças e perguntamos se havia pedidos. Foi aí que conseguimos novos contratos e retornamos para o ramo de calças. Hoje, estamos indo bem novamente”, afirma Israel.

Medidas garantiram empregos

O empresário conta que algumas medidas adotadas nos últimos meses foram importantes para garantir uma recuperação mais rápida da empresa, após o auge da crise, em abril. Uma delas foi o fato de segurar os empregos dos funcionários já contratados até o final de 2019. “Nós poderíamos ter aderido ao programa do governo para reduzir a carga horária do pessoal, demitir boa parte da equipe, ou até mesmo fechar a fábrica temporariamente. Mas, depois, seria muito difícil voltar às atividades rapidamente. Nesse ramo de confecção, formar uma equipe não é fácil, pois se trata de mão de obra qualificada. É necessário treinamento e experiência”, avalia.
Para o final de 2020, Israel acredita em uma retomada lenta, porém gradativa, até meados de 2021. “Esse segundo semestre já está sendo de uma retomada bem grande. Muitas indústrias estão com um gargalo grande na sua produção. Ficaram praticamente nesses quatro meses parados, e agora o mercado voltou a aquecer. Penso que, para voltarmos ao mesmo ritmo que estávamos no início deste ano, podemos chegar neste ponto a partir do segundo trimestre do ano que vem. Tenho conversado com outros empresários, inclusive outros segmentos, e muitos estão vendo o aumento de suas demandas e buscando a contratação de mais mão de obra”, finaliza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Folha do Vale