quarta-feira, janeiro 20Diário online de Braço do Norte

Estátua de vaca jersey ganha apelido e máscara

“Cuidadoras da Zefa” divulgam cartão postal de Braço do Norte de forma criativa

Entregue para Braço do Norte em março como símbolo de valorização à produção leiteira, a réplica da vaca jersey instalada no trevo de acesso ao município acaba de ganhar um fã clube. Um grupo de onze mulheres promete se revezar para “alimentar, ordenhar e tirar os carrapatos” da estátua.

A ideia de interagir diariamente com a vaca é dar popularidade ainda maior ao cartão postal e usar a réplica para passar, de forma lúdica, algumas informações à população, explica uma das idealizadoras do grupo, Patrícia Sombrio Silva. Conhecidas como “Cuidadoras da Zefa”, já iniciou a gravação de vídeos e de fotos em que prometem criar diversas histórias do município e conscientizar a população.

O apelido da vaquinha surgiu entre as próprias amigas que através de um grupo de WhatsApp discutem a escala de cuidados e o que será feito. “Nossa primeira ação é a campanha para usar máscaras. Fizemos um folder com explicações sobre a importância de se prevenir para evitar o contágio pelo novo coronavírus e colocamos até uma máscara na vaquinha”, diz Patrícia.

Material foi feito pelo grupo para incentivar uso de máscara

Garante ter solicitado permissão para a Prefeitura para realizar a “intervenção artística”. “Entreguei um ofício à Secretaria de Agricultura do Município, pedindo a permissão para realizar esta ação, assim como fomos até a Prefeitura na última sexta-feira avisar a Administração sobre nossas reais intenções. “A Zefa é a representação dos respeitos as conquistas de nossa população. Ela é o símbolo dos cuidados que devemos ter com a vida”, diz parte do ofício encaminhado ao poder público municipal.

Longe de ser um ato de vandalismo ou mesmo de denegrir a imagem da classe, Patrícia diz que o grupo quer, de forma bem humorada e descontraída, levar uma mensagem de otimismo e divulgar a cidade. “Vivemos um momento tão difícil com esta crise do coronavírus. Porque não podermos nos descontrair e levar o riso para as pessoas?”, questiona.

Patrícia promete em breve veicular os vídeos e as fotos que estão sendo carinhosamente, segundo ela, editados. “Um destes vídeos acabou circulando involuntariamente pela internet e passou uma imagem diferente do que estamos na verdade propondo”, revela sobre as críticas que as mulheres vêm recebendo. “Muito pelo contrário. Nosso grupo foi criado para reconhecer a força do nosso pecuarista e agricultores, com a homenagem do monumento colocado na entrada da nossa cidade, que materializa, com dignidade, nosso desenvolvimento econômico”, explica.

Vídeo está sendo preparado pelas cuidadoras

“Tem que ter respeito”, defende o secretário

O secretário de Agricultura de Braço do Norte, Adir Engel, confirma que recebeu na última sexta-feira o pedido de autorização para a realização de ações no Monumento do Gado Jersey, porém, em virtude das ações de combate a pandemia, não conseguiu ainda parar e analisar o documento. “A vaca no trevo é um patrimônio de Braço do Norte. Ela não é minha e não é de ninguém. Eu só fui um dos que brigou para sair o que está hoje lá”, lembra. “Eu não tenho que autorizar ou desautorizar ninguém a fazer nada. Não tenho esta autonomia”, enfatiza.

Adir Engel se mostra preocupado, porém, com a forma desrespeitosa, em alguns casos, que o monumento vem sendo tratado. “O que observo é que há algumas pessoas, penso que não sejam deste grupo de cuidadoras, que realmente estão fazendo brincadeiras de mal gosto e avacalhando com a estátua. Não vi nos vídeos que me mandaram nada educativo ou neste sentido que elas defendem. Por isso, estou tomando todo cuidado no que vou dizer ou escrever”, resume o secretário, sem oferecer nenhuma opinião formal. “Vou ler com calma o documento que enviaram e me informar dos reais propósitos delas”, finaliza.

Monumento é uma homenagem ao Gado Jersey

Em 17 de março deste ano, Braço do Norte ganhou uma réplica de vaca jersey em tamanho real foi instalada no trevo de acesso ao município que é a Capital Nacional do Gado Jersey, instituída pela lei nº 13.447, de 31 de maio 2017, assinada pelo presidente da República Michel Temer. Além do monumento, também há uma placa comemorativa.

O gado Jersey tem como origem uma pequena ilha chamada de Jersey, na Grã-Bretanha, entre a Inglaterra e a França. No Brasil, os primeiros animais chegaram no Rio Grande do Sul em 1896. Na região do Vale do Braço do Norte, os primeiros animais com sangue mais apurado chegaram por volta de 1970.

Entre as várias características, é um animal extremamente dócil, leite de mais gordura e maior quantidade de sólidos. Produz de 15 a 25 quilos de leite ao dia, tem vida longa e pode ser criado em qualquer Estado do Brasil.

No início dos anos 1970 o município tinha apenas gado de leite comum, e graças a uma das famílias Ricken é que entraram na região os primeiros touros da raça Jersey não puros, mas já com algum sangue melhorado. No começo dos anos 1980, alguns criadores de gado da região fundaram a ACCB (Associação Catarinense dos Criadores de Bovinos) Regional Sul, e isto atraiu mais criadores a investir em gado melhorado, no gado Puro de Origem (PO). Passados mais alguns anos, muitos criadores já tinham gado PO vindo de várias regiões e o desafio foi ver quem estava acertando mais na escolha do plantel e a necessidade de se fazer uma exposição foi imediata.

A primeira exposição foi realizada nas antigas instalações do CTG de Braço do Norte (antiga estrada para São Ludgero), no ano de 1991. Depois, a exposição cresceu e em 2004 veio a primeira edição da Feagro (Feira e Exposição Agropecuária do Vale de Braço do Norte e Região).

Braço do Norte é constituído de pequenas propriedades e com uma topografia muito acidentada, o que não permite que o produtor tenha muito gado. Ele precisa explorar ao máximo seu plantel e, com o crescimento da suinocultura, veio a necessidade de aproveitar os dejetos nas áreas de pastagens. Hoje possui cerca de 450 criadores que proporcionam uma produção média de 250 mil litros por dia de leite.

Viagens, importação de gado, sêmen do Canadá e pastagens melhoradas foi o solavanco necessário para tornar a região uma das melhores em qualidade de gado Jersey. Muitas pessoas contribuíram para o crescimento do gado Jersey no município, mas em especial um casal: Celina e Edésio Oenning.

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Folha do Vale