Estados Unidos estimam quedas parecidas com década de 1930

Coluna semanal de Antenor Turazi

A Standard & Poor’s (S&P) acaba de atualizar os cenários da economia dos Estado Unidos, prevendo um quadro de depressão em 2020, devido à crise econômica desencadeada pela Covid-19, pandemia provocada pelo novo coronavírus. Pelas estimativas da S&P a queda do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA será de 1,3% neste ano. Esse resultado é parecido com o da Grande Depressão, ocorrida na década de 1930, mas em um espaço mais curto de tempo, segundo a instituição que faz um alerta para o forte aumento do desemprego na maior economia do planeta. As novas previsões da agência nacional de risco norte-americana indicam que o PIB dos EUA deve encolher 2,1%, no primeiro trimestre, e 12,7%, no segundo trimestre, acarretando perdas de US$ 240 bilhões na formação de riqueza do país. Segundo a S&P, a taxa de desemprego poderá subir para 10% no primeiro semestre, gerando um exército de 10 milhões de desempregados, o maior contingente desde a Grande Depressão, quando 8,7 milhões de trabalhadores ficaram sem emprego. A instituição ainda prevê aumento da taxa de 13% do desemprego na segunda metade do ano, “o maior patamar desde 1948”. Em fevereiro, a taxa de desemprego dos EUA ficou em 3,5%.

CORONAVÍRUS

Os Estados Unidos tornaram-se o epicentro dos contágios da Convid-19, mas tudo indica que o pior ainda está por vir. Conforme levantamento feito pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), o pico dos casos da pandemia ocorrerá em 15 de abril.  Pelas estimativas do governo norte-americano, o número de mortes devido à doença poderá superar 100 mil pessoas. O presidente dos EUA, Donald Trump, mudou o discurso de negação em relação à pandemia e defendeu a adoção de medidas preventivas, como o isolamento social, até o fim de abril. A depressão é o pior dos cenários em uma economia, porque consiste em uma combinação desastrosa de fatores, como fechamento de empresas, aumento do desemprego de forma acelerada, escassez de crédito, baixos níveis de produção e de investimento, além de crise de confiança dos governos. Este cenário terá seus impactos na economia brasileira, que sem dúvida, terá um período de grandes problemas.

NO BRASIL

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu um “equilíbrio” entre o isolamento social necessário ao combate ao novo coronavírus e “o que a economia aguenta”. Ele demonstrou preocupação com os impactos da quarentena sobre a atividade econômica, embora tenha demonstrado apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ele tem pregado o isolamento social como medida de contenção do avanço da doença no Brasil, em apoio à postura adotada por Estados e municípios e em contraponto ao presidente Jair Bolsonaro, defensor do chamado isolamento vertical, focado em grupos de risco e pessoas infectadas. Se deixamos abater também uma depressão econômica, o problema vai ser mais sério. Precisamos de um equilíbrio entre 1, 2, 3 meses que Mandetta acha necessário de isolamento e o que a economia aguenta, disse o ministro da Economia.


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