Esta semana é um bate-papo

E aí, galera?! Como o assunto do momento é o coronavírus, na coluna dessa semana trago uma entrevista com um futuro médico, que também está trabalhando no combate à pandemia. Para quem não o conhece, falo com o Luiz Gustavo Souza Cardozo, o “Guga”, braçonortense de 24 anos que está no 11º Semestre do Curso de Medicina da Unisul de Tubarão.

Como surgiu a oportunidade de estar trabalhando contra o Covid-19?
Guga
– A oportunidade surgiu através do convite da coordenação do curso, em parceria com a Prefeitura de Tubarão, para fazer estágio voluntário em algumas instituições de saúde da cidade, como unidades básicas de saúde, hospitais, no call center, respondendo as dúvidas dos pacientes e também nas campanhas de vacinação do Influenza. No momento, estou na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Morrotes em Tubarão.

Como está sendo a experiência do trabalho com o Novo Coronavírus?
Guga
– Como dito anteriormente, estou atuando em uma UBS (Unidade Básica de Saúde) e é perceptível a diferença na dinâmica desses locais. Hoje, estão sendo atendidos apenas casos de urgência e suspeitas de Covid-19. Outra mudança importante é que há um consultório específico para atendimento de pacientes com sintomas respiratórios, sendo que, entre todos os atendimentos, é realizada higienização total do consultório, além do uso de EPIs adequados para a situação. A experiência para mim está sendo muito positiva, já que o mínimo que posso colaborar já me faz sentir parte disso, além de ser uma vivência bastante importante para o meu futuro na profissão.

Para um estudante de medicina (quase um médico no seu caso), qual o desafio no caso de uma pandemia?
Guga
– Na minha opinião, o principal desafio é o da informação, fazer com que chegue o conhecimento necessário aos ouvidos da população. Há uma ambiguidade muito grande entre as informações corretas e as fake news, as quais se difundem facilmente. Nós vemos o quanto é importante que a população tenha total conhecimento do que deve, e do que não deve fazer em situações como esta. Um ótimo exemplo positivo é o da Coreia do Sul, um país onde a população recebeu um alto grau de informação sobre a doença, além de protocolos sanitários e de prevenção bem definidos que conseguiram achatar a curva, fazendo com que a transmissão fosse reduzida de forma mais eficiente que outros países que não adotaram tais medidas.

Você já atendeu alguém positivo com o Covid-19?
Guga –
Como estou em uma Unidade Básica de Saúde, muitas vezes esse é o primeiro contato desse paciente com o sistema de saúde. Só que ali não é realizado os exames de confirmação do Covid-19. Devido a baixa disponibilidade do exame no Brasil, a grande maioria dos pacientes que apresentam a doença não são testados, sendo orientados a fazer o isolamento domiciliar. Hoje, o teste é realizado apenas para determinados pacientes internados nos hospitais. Atendi pacientes com problemas respiratórios, os quais são notificados como casos suspeitos de Covid-19, mas que ainda não podem ser considerados confirmados por não terem a prova laboratorial.

Que recado você deixa para as pessoas que estão em risco com o vírus e aos profissionais da saúde?
Guga –
O meu recado, para toda a população, é que busquem respeitar e colaborar com essa quarentena. Sabe-se que o isolamento social é a melhor forma de diminuir a transmissão da doença. Além disso, estudos recentes apontam que a maior parte dos indivíduos que transmitem a doença são assintomáticos, ou seja, não apresentam qualquer sintoma. Então, não é porque a pessoa está bem, que deve colocar outras pessoas em risco ou a ela mesma. Vá atrás de informações corretas, de fontes seguras, como as divulgadas pelo Ministério da Saúde, e acredite muito que isso vai passar. Aos profissionais da saúde, a minha gratidão pela experiência e o desejo de excelência em seus trabalhos.

Valeu Guga. Muito obrigado pela entrevista. Fica o desejo de sucesso nessa sua carreira que logo se iniciará! Estamos todos juntos contra essa pandemia.


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