Especialista em economia, dá dicas de investimentos durante a pandemia

Jeferson Tenfen, natural de Rio Fortuna, é e investidor e assessor de investimentos

“Eu aconselho, sempre, conheça o investimento que você está fazendo, busque entender as especificidades de cada tipo de investimento, cuidado com as promessas de ganhos fáceis, tem um dito popular que diz, quando a esmola é boa, até o santo desconfia”.

Entrevista realizada por Ezequiel Philippi

E aí galera! Tudo certo com vocês? Na nossa página desta semana trago uma entrevista com o especialista em economia Jeferson Tenfen, investidor e assessor de investimentos. Natural de Rio Fortuna, Jeferson atua profissionalmente em Criciúma, há quase 3 anos, onde centraliza operações no mercado financeiro dando suporte aos investidores e negócios.

Jeferson, sabemos dos impactos da crise do Covid 19 na vida das pessoas e das empresas, como está o cenário de investimentos no mercado financeiro?

Jeferson Tenfen – É um momento onde os investidores ficam avessos ao risco, por conta de todas as incertezas que esse momento gera, dentre elas, até quando irão os isolamentos, quando terá algum remédio com eficácia comprovada, etc… Então esse momento inicialmente gera uma corrida ao dinheiro. Muitas posições alavancadas sendo desmontadas, fundos e pessoas quebrando, e esse pessoal que conseguiu voltar a ter dinheiro líquido em mãos, começa a olhar oportunidades. Principalmente aquele investidor que olha o longo prazo, um momento de crise como o que vivemos é uma grande oportunidade de comprar bons ativos, os preços chegaram a cair 40%, 50%, se você tem dinheiro em caixa, você pode comprar. Como diz Warren Buffet, maior investidor mundial da bolsa, “venda ao som dos violinos e compre ao som dos canhões, mas o que a grande maioria faz é ao contrário”.

Na quarta-feira, 6 de maio, o Banco Central divulgou a menor taxa Selic da história, ao patamar de 3% ao ano. Como que você avalia essa medida para a economia neste momento tão turbulento?

Jeferson Tenfen – No curto prazo pode ser benéfico, irá ajudar a partir do momento em que o dinheiro seja injetado na economia, afinal, até agora os juros lá na ponta final, no tomador de empréstimos, não está ficando mais barato. Deveríamos ter essa redução para o combate ao Coronavírus, porém, a longo prazo, podemos ter problemas estruturais sérios no câmbio e nas contas públicas. O Banco Central vem seguindo uma tendência mundial, tentando gerar liquidez e dinheiro em circulação na economia. O mundo todo vem baixando suas taxas básicas de juros. A justificativa para essa redução é a inflação controlada, realmente as projeções de inflação estão baixas mesmo, Banco Central fala em 1,97% no fim do ano de 2020, porém essa redução impacta muito o mercado cambial. O dólar, que já não está baixo segue uma tendência de alta, uma vez que com essa redução da Selic, pode causar uma redução carry trade, basicamente, o que ocorre é que o investidor estrangeiro até então estava tomando dinheiro emprestado a juros baixos em países europeus, nos EUA ou Japão, para depois aplicar este mesmo capital em países de juros mais altos, como o Brasil. E então ele ganha nesta diferença de juros. O carry trade é um fluxo importante de dólar entrando no país, não só no Brasil, mas na grande maioria dos países emergentes e com a redução da Selic esse prêmio não será mais tão interessante, então esse fluxo diminuirá. Há alguns economistas que falam em um dólar podendo chegar até R$ 7,00. Essa alta do dólar, pode ser transferida para a inflação, uma vez que muitos insumos e máquinas têm seus preços dolarizados. A grande questão aqui é essa, quando que o preço do dólar irá refletir na inflação.

Ainda existe muito dinheiro parado em poupança, para muitos, é “o investimento mais seguros”, como ficará agora a questão de rendimentos da caderneta? E qual conselho você pode passar para quem quiser migrar dessa aplicação para uma outra?

Jeferson Tenfen – A caderneta de poupança já vem a algum tempo rendendo menos do que a inflação. As pessoas têm a falsa sensação de que estão ganhando dinheiro, pois veem o valor nominal aumentar. Mas quando descontamos a inflação vimos que a realidade é outra. Existem outras opções de investimentos que são tão seguras ou até mais seguras que a poupança. Títulos públicos, por exemplo. Eu aconselho, sempre, conheça o investimento que você está fazendo, busque entender as especificidades de cada tipo de investimento, veja se está dentro do seu perfil, cuidado com as promessas de ganhos fáceis, tem um dito popular que diz, quando a esmola é boa, até o santo desconfia. Conhecendo os investimentos, entendendo os riscos você vai poder analisar se faz sentido para você ou não.

Falando de Bolsa de Valores; o Brasil em 2020 atingiu o seu maior patamar de confiabilidade do investidor em janeiro, quando alcançou 120 mil pontos. Devido ao coronavírus, a bolsa derreteu chegando à metade desse patamar alcançado. Mesmo sabendo que o mercado é imprevisível, como fica a perspectiva para 2020?

Jeferson Tenfen – Acredito que tem muita coisa para desenrolar, muita incerteza ainda, que vai gerar muita volatilidade no mercado, mas, para o fim do ano e ano de 2021 as perspectivas são positivas, essa baixa de quase 50% na bolsa colocou muito das recessões globais no preço dos ativos, então na medida em que se tenha visões mais claros do que espera a economia global, esses voltarão a subir. Se analisarmos outras crises do passado, as movimentações de quedas são muito parecidas, e logo torna a subir. Só temos que esperar e ver se vai ser uma retomada rápida ou um pouco mais demorada. Claro que com as taxas de juros remuneratórias dos investimentos cada vez mais baixas, nós vamos ver um aumento no número de pessoas que investem no mercado acionário, isso também contribui para um fortalecimento da bolsa.

O momento atual mostra ainda mais a necessidade de se ter uma reserva de emergência. Para alguém que quer começar a investir em renda fixa ou variável, o que você recomenda?

Jeferson Tenfen – Com relação a investimentos, sempre devemos ter uma carteira diversificada, dentro do perfil de cada investidor, colocar os recursos que podem tomar risco e ficar a longo prazo para a renda variável, recurso que já tem uma destinação, deixar em algo bem conservador, com liquidez, para quando chegar o momento de usar ele, está ali disponível. Novamente gosto de frisar o conhecimento, busque conhecer bem no que você está investindo. A reserva de emergência, é de suma importância, se acontecer alguma coisa, como o próprio covid está aí para nos mostrar que pode acontecer, você vai ter dinheiro para se manter por período de tempo. Acredito que a educação financeira vai mudar o jeito com que o brasileiro investe, estamos apenas no começo desse movimento de mudança, mas no futuro eu acredito que no Brasil vai ter muita gente investindo em bons ativos e não caindo mais e armadilhas por não saberem o que estão fazendo.

Quanto ao aumento significativo do dólar, a desvalorização do real e a crise instaurada do petróleo nas grandes economias globais, o que podemos esperar ao curto e longo prazo nos negócios locais?

Jeferson Tenfen – Essa crise do petróleo, que você fala, é uma crise de demanda. O mundo todo parou, o petróleo produzido ficou estocado e os locais para estocagem estão ficando escassos. Somado a isso ainda veio a disputa entre Arábia Saudita e Rússia, que fez com que a Arábia não diminuísse a produção. Esse movimento todo leva a uma redução drástica no preço da commodity. O dólar, pode ter a sua alta muito explicada em conta da busca de segurança em investimentos, hoje os títulos americanos são tidos como os mais seguros do mundo, então muito capital vai para esses títulos. A desvalorização do Real, assim como as outras moedas emergentes sentem essa fuga de capital ou também a não entrada de capital pelos carry trades que eu expliquei anteriormente. Os negócios locais com certeza terão impactos nos preços dos seus insumos, uma vez que o aumento do dólar dá uma tendência de aumento de inflação, já com relação ao preço do petróleo a partir do momento que a demanda começar a normalizar, os preços tendem a subir novamente.

Para finalizarmos, qual a sua mensagem como economista ao empresário, aos negócios, as atividades econômicas?

Jeferson Tenfen – O empresário brasileiro sempre foi muito desafiado para manter os seus negócios funcionando, ele sempre se reinventou a cada nova dificuldade que se apresenta. Tenho certeza que mais uma vez diante de uma situação adversa os empresários brasileiros vão conseguir se reinventar, e achar soluções para manter os seus negócios a todo vapor. Foram tomadas algumas medidas de estímulo para a manutenção das empresas funcionando, acredito que o empresário não vai ficar desamparado nesse momento difícil.

Gostaria de agradecer ao espaço para essa conversa, foi um prazer poder passar um pouco de informações para a população, é sabido que o desafio no Brasil é grande, principalmente na área de economia, as pessoas não tem uma educação financeira, ponto que eu acredito que deveria ser matéria na grade curricular das crianças, aprender a trabalhar com o dinheiro, muitas pessoas estão hoje passando dificuldades por causa dessa falta de conhecimento em finanças básicas, por isso agradeço novamente o espaço.


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