Empreendedorismo no campo em tempos de pandemia

Aproximadas por afinidades ideológicas, laços familiares e o gosto por cozinhar, dupla resolveu produzir o “Molho de Pimenta da Bibi” como uma fonte alternativa de geração de renda.

Com a pandemia do novo coronavírus, o Covid-19, várias atividades econômicas foram impactadas, dentre elas, em todo o mundo, o turismo se destaca. Para a Associação de Agroturismo Acolhida na Colônia não foi diferente. Agricultores rurais de toda a associação viram-se fortemente impactados. Mas, tempos difíceis para os negócios e, porque não dizer, à subsistência humana, abrem espaços para a criatividade e o empreendedorismo.

Como forma de escoar alguns dos produtos produzidos artesanalmente pela agricultura familiar, numa forma de venda direta, a Acolhida na Colônia lançou a campanha “Da Horta à Mesa”, na qual os próprios agricultores, com auxílio do apoio técnico da associação, divulgam uma lista com os produtos que produzem e entregam nas residências dos municípios de cidades circunvizinhas às sedes regionais da associação.

Dentro deste contexto, Andréa Castelo Branco Assing e Leonize Assing, associadas à Acolhida na Colônia da regional das Encostas da Serra Geral, aproximadas por afinidades ideológicas, laços familiares e o gosto por cozinhar, resolveram produzir o “Molho de Pimenta da Bibi” como uma fonte alternativa de geração de renda.

Andréa é ambientalista e pesquisadora na área de Agroecologia e Economia Ecológica, com doutorado em ciência ambiental pela Universidade de São Paulo. Veio à Santa Rosa de Lima há 7 anos desenvolver sua pesquisa de doutorado e se encantou pelo lugar, o que a fez decidir ficar e formar família. Leonize é agricultora e toca a propriedade dos pais juntamente com sua família para a produção de alimentos e serviço de hospedagem.

Sobre o molho de pimenta, Leonize lembra que com a queda drástica da renda no agroturismo, devido à pandemia, se viram na obrigação de criar novas alternativas de geração de renda. “A inovação da Acolhida na Colônia com a campanha Da Horta à Mesa abriu espaço para a criação de novos produtos alimentícios já que o consumidor demanda variedade. Foi, desta forma, um desencadeamento de inovações na produção e oferta de produtos artesanalmente processados”, detalha.

Quando perguntada como surgiu o nome do molho, Andréa explica que tem por inspiração o apelido recebido pela Leonize ainda na infância, “Bibi”. “A escolha do nome simboliza o carinho com que esse produto é produzido. Carinho que também se estende ao meio ambiente e aos seus clientes, pois, produzido de forma artesanal, o Molho de pimenta da Bibi é livre de conservantes químicos e utiliza majoritariamente ingrediente orgânicos oriundos da agricultura familiar local”, garante a pesquisadora.

Leonize, a “Bibi”, empresta do nome ao molho

Pimenta artesanal não é explorada na Região  

Curiosos sobre por que produzir molho de pimenta, Andréa justifica. “Vem do fato de não ser um produto artesanal oferecido na região, vimos então um mercado não explorado. Sabemos que a pimenta não é do hábito alimentar da grande maioria dos habitantes da região Sul de Santa Catarina, por isso decidimos produzir o molho, que além de pimenta inclui outros ingredientes que amenizam a ardência, conservam o produto e dão mais sabor ao produto”, esclarece a ambientalista.

O molho é oferecido em três níveis diferentes de pungência (baixa, média e alta), e além da versão tradicional, foi criada a versão agridoce. “Nossa receita é original, criamos a partir de testes das melhores combinações e técnicas de preparo. Estamos felizes com os retornos que temos recebido dos clientes e com as vendas”, acrescenta Leonize.

“Em um mês já produzimos seis lotes, tendo já vendido 70% de tudo que foi produzido. Através das redes sociais temos divulgado nosso produto que já foi até encomendado por consumidores de outros Estados, como Mato Grosso e Paraíba”, acrescenta Andréa. Os resultados têm nos motivado a criar uma linha de produtos a partir do processamento de diferentes pimentas. “Hoje trabalhamos com a pimenta dedo de moça, mas já estamos fazendo testes com a pimenta biquinho, malagueta e jalapeño, ou seja, vem novidade por aí”, antecipa.

A história de Andréa e Leonize, serve de inspiração ao trazer um novo olhar para as condições que hoje estamos vivendo. Um olhar sobre a força do ser humano em superar dificuldades e criar novas formas de garantir sua reprodução social, o que é chamado de empreendedorismo. 

Contatos:

Instagram: @molho_de_pimenta_da_bibi

WhatsApp: (48) 99900-0866

E-mail: [email protected]


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