domingo, janeiro 17Diário online de Braço do Norte

Educação financeira para driblar a pandemia

A decretação da pandemia de Covid-19 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no dia 11 de março, trouxe uma realidade inesperada na economia brasileira e na renda das famílias como efeito colateral. Nesse cenário de incertezas, o percentual de famílias com dívidas, em atraso ou não, chegou a 66,6% em abril de 2020.
O patamar é recorde no levantamento iniciado em janeiro de 2010. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A maior parte das dívidas continua sendo com cartão de crédito (77,6%). Em seguida, aparecem as dívidas com carnês (17,5%) e com financiamento de veículos (10,2%).
Diante desta nova realidade da economia no Brasil, que deve encolher 5% este ano, segundo o Banco Mundial, ter controle sobre o orçamento familiar é mais que importante, é vital para chegar em pé no fim desta pandemia, pois acredite: tudo isso vai passar!
Ter controle e organização pode fazer a diferença entre sair definitivamente da crise ou amargar meses, quem sabe anos, de dívidas contraídas agora. É mais ou menos a partir deste pensamento que a professora Andressa Zapelini Feliceti, de Braço do Norte, teve quando começou a buscar alternativas para ajustar o padrão de vida da família e não ficar no vermelho.
“Em tempo de pandemia, esse aspecto financeiro ficou complicado para todo mundo, principalmente para quem teve o salário diminuído ou está desempregado”, pontua a coordenadora do Centro de Educação Infantil (CEI) Edith Della Giustina Gesser, no bairro Nossa Senhora da Fátima.
E foi pensando em como organizar suas próprias finanças que ela resolveu dar um passo a mais para auxiliar as 23 colaboradoras da escola infantil: uma conversa com a coach e educadora financeira Manoela Couto, também da cidade. Tudo gratuito e sem custo para a escola e para o município.
“Pode parecer bobo, mas é difícil falar sobre dinheiro, ainda mais quando você tem dívidas. Ainda assim a ideia foi bem recebida. É um ensinamento para a vida e não apenas para este momento. Penso muito na minha equipe e quero muito o sucesso delas. Acredito que isso pode gerar crescimento financeiro e pessoal de todas nós”, valoriza Andressa.
Esta dificuldade de guardar dinheiro, gastar mais do que se ganha ou até mesmo de apego com um padrão de vida impossível de ser mantido, é comum à maioria das pessoas. Agora, com a pandemia, saber como organizar o caixa para que o bolso não fique no vermelho é vital.
“Mais do que nunca percebemos que precisamos dar atenção especial para todos os aspectos da nossa vida. E precisamos ter um olhar ainda mais atento às finanças, não adiar decisões e fazer os ajustes necessários com rapidez”, elucida Manoela.

Guardar dinheiro: uma dificuldade real para a maioria das pessoas

A mudança no hábito de consumo ao longo destes seis meses de pandemia teve um reflexo sobre a economia. Mas neste caso não se trata do aspecto do consumo, mas do aspecto de guardar dinheiro. Por mais que a maioria das pessoas diga que têm grande dificuldade em fazer uma reserva para os momentos adversos, o brasileiro nunca poupou tanto quanto nesta pandemia.
Em junho, segundo dados do Banco Central, os depósitos em caderneta de poupança superaram as retiradas em R$ 20,5 bilhões. Embora o valor tenha ficado abaixo dos volumes recordes de captação de abril (R$ 30,45 bilhões) e maio (R$ 37,2 bilhões), o patamar de junho ainda ficou acima dos outros meses da série histórica, iniciada em 1995.
Em números tudo fica muito lindo, mas a verdade é que guardar dinheiro é difícil e exige esforço. Para a coach e educadora financeira Manoela Couto, de Braço do Norte, fazer o que ela chama de ‘reserva da tranquilidade’ é um exercício mensal. Uma tarefa que deve ser encarada como qualquer conta.
O primeiro passo para ter sucesso é definir objetivos: para que você vai poupar dinheiro? Feito isso é necessário definir qual valor é possível investir para alcançar esta meta. “A principal falha em tentar guardar recursos é que as pessoas esperam sobrar aquele dinheirinho para poupar. E isso quase nunca dá certo. É preciso encarar isso como se fosse um boleto, uma conta qualquer que tem vencimento e precisa ser paga da mesma forma que a luz e a água, por exemplo”, ensina Manoela.
O seguinte e principal passo é justamente pagar o ‘boleto da reserva da tranquilidade’ em dia! “Indico que a pessoa não espere para fazer isso. Assim que receber retire do bolo a quantia que se propôs. O que sobrar será o seu orçamento familiar mensal e é dentro deste número que você tem que organizar seu dia a dia”, explica a educadora financeira.

As dicas para economia

A primeira dica da especialista é: atente para os seus gastos e analise racionalmente o que pode ser imediatamente cortado e o que pode ser reduzido, mesmo que temporariamente. Somente com esta análise é possível ajustar o orçamento e ter tempo para buscar alternativas.
“Quando falo em cortar é aquilo que pode ser retirado da vida e não vai fazer falta: tenho duas assinaturas de canais streaming. Posso reduzir para uma. O plano de dados do celular passa a não fazer muito sentido, pois se estamos mais em casa podemos usar o wi-fi. Pode parecer tudo muito pequeno, mas no fim a diferença é grande no orçamento”, exemplifica Manoela.

Outra dica é prestar muita atenção nas despesas variáveis, como supermercado, água, energia.

Justamente por conta do isolamento social, os gastos nestes setores aumentaram para a maioria das famílias. Como reduzir? A resposta da Manoela é: ter mais atenção aos hábitos.

Como estamos mais em casa, o banho fica mais longo, a televisão e as lâmpadas ficam ligadas o dia todo. Pode parecer mesquinharia, mas a verdade é que se não houvesse pandemia a maioria de nós seria mais rápido no banho e desligaria a televisão e as lâmpadas se não tem ninguém na sala.
“São pequenas atitudes que valem para qualquer momento, independente de pandemia. Ajustar o padrão de gasto não deve ser encarado como derrota, mas como a saída mais rápida e inteligente de qualquer crise”, incentiva Manoela.

Além destas dicas práticas, Manoela adverte: “Para planejar a vida financeira em meio à pandemia, controlar os gastos e a impulsividade é essencial”. Isso não significa deixar de comprar – especialmente o que for necessário para sua sobrevivência e da sua família -, mas sim fazer isso de maneira comedida e dentro do que cabe no orçamento atual.

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Folha do Vale