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Doença atinge aves de postura em SL

Autoridades sanitárias de Santa Catarina e produtores de ovos de São Ludgero e proximidades estão atentas a um surto de Laringotraqueíte Infecciosa, conhecida pela sigla LTI. A doença costuma atingir aves de postura, é considerada altamente contagiosa e pode levar a uma redução da produção na região.
Na última terça-feira (22), a Cidasc, órgão responsável pelo controle da sanidade animal no estado, divulgou uma nota técnica sobre o caso. O documento, de quatro páginas, dá informações sobre a LTI, como prevenir e como combater o surto na área que chamou de “bolsão de São Ludgero”.
“A LTI é uma doença aguda, altamente contagiosa, que acomete o sistema respiratório de galinhas. Está relacionada a graves prejuízos econômicos por causar alta morbidade e mortalidade, esta última quando ocorre a forma grave da doença. Os prejuízos também são consequência da queda na produção de ovos, no desempenho das aves e à predisposição a outras doenças respiratórias. De forma concomitante, perdas indiretas estão associadas aos gastos elevados com medicamentos e vacinas”, diz a nota técnica.
Apesar da doença acometer a saúde das aves, os ovos não são infectados e são seguros para consumo humano. Também não tem qualquer relação com a gripe aviária, pois tratam-se de vírus diferentes. No caso da LTI, a manifestação da infecção é sazonal e, nas últimas décadas, foram registrados focos também nos estados do Paraná, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.
Para definir as estratégias de combate ao contágio, foi convocada uma reunião emergencial do Comitê de Sanidade Avícola, formado por, além da Cidasc, entidades como Secretaria de Estado da Agricultura; Superintendência Federal de Agricultura em Santa Catarina; Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc); Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina (Sindicarne); Associação Catarinense de Avicultura; Embrapa; Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), e outras. Na reunião, o Comitê definiu a adoção de medidas preventivas para minimizar os impactos da doença na cadeia produtiva de aves da região e do estado.
As medidas definidas serão executadas tanto por parte da Cidasc (aumento da vigilância, obrigatoriedade de medidas de biosseguridade, controle de trânsito de aves), quanto pelos produtores (limpeza e desinfecção das instalações, uso de uniformes pelos funcionários, restrição de pessoas, controle efetivo de insetos e roedores, tratamento da água de beber, destinação correta das aves mortas, cama e esterco).

Preocupação e controle
O surgimento da laringotraqueíte no rebanho de aves de postura em São Ludgero causou preocupação a produtores e autoridades municipais. Afinal, a cidade é a maior produtora de ovos de Santa Catarina. De acordo com o último Censo Agro, do IBGE, em de 2017 São Ludgero produziu mais de 24,4 milhões de dúzias, com um valor de produção que ultrapassa os R$ 76 milhões. Atualmente, o município possui 32 aviários, com um rebanho estimado de 1,8 milhão de aves, que produzem cerca de 123 mil dúzias de ovos por dia.
Apesar da gravidade e da preocupação em um primeiro momento, há sinais de que o surto está sendo controlado. Pelo menos é o que acredita o secretário municipal de Agricultura, Comércio, Indústria e Turismo, Jaime Soth. “A gente ficou mais preocupado quando surgiu esse vírus. Mas, as informações que temos no momento é que os produtores estão conseguindo controlar o contágio, através da vacina e outras ações, e que, agora, não apresenta mais tanto risco. Acredito que, num todo, a produção de ovos não será tão afetada”, avalia.
Um avicultor do município, que pediu anonimato, afirmou ser cedo para concluir se haverá algum prejuízo maior ao setor. “Até onde nós sabemos, esse surto começou no final de agosto, início de setembro. Apesar do transtorno inicial, eu acho que não dá para dizer com certeza o quanto realmente pode afetar na nossa produção. É mais adequado esperar um pouco mais para termos a noção exata”, finaliza.

Medidas da Cidasc contra a LTI

Incremento da vigilância ativa na região

Controle e restrição da movimentação animal (GTA) de aves e de cama de aviário

Definição da obrigatoriedade do uso de vacina recombinante

Obrigatoriedade do aprimoramento das medidas de biosseguridade

Recomendações aos produtores

Implementação de medidas eficazes de biosseguridade

Controle de trânsito de aves vivas

Adoção de protocolo vacinal adequado

Limpeza e desinfecção das instalações

Uso de uniformes pelos funcionários

Restrição do fluxo de pessoas na área de produção

Controle de insetos e roedores

Tratamento da água de beber

Destinação correta das aves mortas, cama e esterco, além de estabelecer rota para o trânsito de aves de descarte

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Folha do Vale