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Cicloviajante inclui Braço do Norte no seu desafio: Chuí ao Oiapoque

Em roteiro de quase 6 mil quilômetros, Lucas elogia o relevo do Vale

Natural de Curitiba, Lucas Abreu, 35 anos, é cicloviajante. Entre as suas façanhas está pedalar mais de 5 mil quilômetros, de Londres, na Inglaterra, a Estambul, na Turquia. No último 1 de dezembro, iniciou uma nova aventura. Vai do Chuí, no Rio Grande do Sul, ao Oiapoque, no Amapá, os dois pontos mais extremos do Brasil. Na última terça-feira, dia 15, o aventureiro chegou a Braço do Norte.


Há 18 anos morando na Europa, onde trabalha como bartender, Lucas começou a pedalar, meio que por acaso, em 2004, aos 19 anos. Decidiu sair de Bordeaux, na França, e foi até Lisboa, em Portugal, passando por Santiago de Compostela, na Espanha. Foram 1.800 quilômetros em três semanas. Gostou da experiência e não parou mais.


Este ano, havia planejado cortar os Estados Unidos pedalando, de costa a costa. Com a pandemia, o projeto foi abortado. Decidiu, então, voltar para sua terra natal e cruzá-la do Sul ao Norte. Tendo como companheira uma bicicleta adaptada para viagens, o pedal deve encerrar em 18 de março, quando completa 36 anos. O roteiro, em linha reta, é de pouco mais de 4 mil quilômetros. Como não segue o caminho mais rápido, serão quase 6 mil quilômetros que, garante, fará todo de bike.


Em sua passagem pela região, Lucas ficou hospedado na residência de Caroline Sombrio. “Conheci a Carol há alguns anos pela internet. Ela ficou sabendo que eu estaria passando por perto e me convidou para ficar na sua casa”. Na quarta-feira, à tarde, Lucas retomou o pedal subindo a Serra do Corvo Branco. Segue em direção a Urubici e, depois, Lages. O Natal pretende passar com familiares em Treze Tílias, onde nasceu sua mãe, Francisca. Continua o pedal cortando o Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e, finalmente, o Amapá. Até o momento já foram 15 dias de estrada e cerca de mil quilômetros trilhados.


“O que vi na região, até aqui, é encantador. Me lembra muito a Europa”, diz o jovem que está pela primeira vez no Sul de Santa Catarina. “Posso garantir que o Vale de Braço do Norte é o paraíso para o ciclista. Tem bastante subidas e descidas, com belas paisagens”, fala sobre o relevo local. “O ciclista, de verdade, não quer reta. Ele quer montanhas e serras. Na Europa, por exemplo, os roteiros com essas características são os mais valorizados no cicloturismo, atraindo milhares de aventureiros de todo o mundo a cada ano, como a Itália, França e Suíça, na região dos Alpes”, garante.


Lucas diz que reserva grande expectativa para conhecer a Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso. “Para não me frustrar, procuro conter a ansiedade, não ficar imaginando. Mas, é inevitável que estas paisagens venham à mente”, revela. O ciclista revela ainda que realiza esse roteiro com a intenção de agregar valor a si mesmo. “Vou ter ainda a oportunidade de me conhecer melhor nestes três ou quatro meses de pedal”. Antecipa que não está escolhendo nenhum roteiro pelo local, especificamente, mas pelada pelo prazer e a oportunidade de viver intensamente cada cidade que está passando.

Solidariedade e desprendimento

Lucas diz que, até hoje, nunca teve negado no Brasil, nem na Europa, qualquer pedido de ajuda ou abrigo. “Eu nunca pedi para ficar na casa de alguém. Quando vou parar, procuro um local que acho que dá para acampar e peço autorização para montar minha barraca. Sempre me oferecem uma água, um banho ou coisas do tipo”, detalha o ciclista, que viaja por conta própria, sem nenhum patrocínio.


Para este pedal, Lucas leva bem menos material em sua bicicleta do que nos que já realizou no frio da Europa. “Levo apenas uma jaqueta, pois sei que daqui para frente só vai esquentar. Nas bolsas adaptadas na bike, além da barraca, carrego o fogareiro, um saco de dormir, uma rede, comida, uma mini cadeira e um pequeno notebook para ler os livros que baixei antes de começar a pedalar”, detalha.


Quando há algum problema ou imprevisto, conta com o apoio dos moradores de cada cidade. “Há alguns dias quebrou o bagageiro que prende a garupa na bicicleta. Parei em uma oficina e umas oito pessoas vieram dar sugestão no que poderíamos fazer, já que não existia solda de alumínio no local. Acabaram adaptando uma chapa para poder seguir em frente. Já em Arroio do Silva, um ciclista, que passava por mim, ofereceu a casa dele para que eu dormisse naquela noite. Acho isso muito legal”, diz empolgado.


Para ele, o pedal é a melhor maneira de se viajar e apreciar a paisagem. “Não é tão lento quanto quem caminha e nem tão rápido como para quem dirige um automóvel ou pilota uma moto”. Lucas revela que o pedal de longa distância, como este que realiza, é uma oportunidade que tem de viver na prática o que tanto se filosofa sobre dar importância as coisas pequenas. “Você não sabe o quanto é bom tomar um banho depois de dois ou três dias sem ver um chuveiro, nem que seja daquele bem pequeninho”, exemplifica. “Tomar um refrigerante, depois de um dia todo embaixo do sol quente, é algo que ganha um sabor especial”, acrescenta. “No dia a dia acabamos esquecendo como as coisas simples são tão boas”, finaliza.

Acompanhe a jornada pelo Instagram

@lucasdebicicleta

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Folha do Vale