terça-feira, janeiro 19Diário online de Braço do Norte

Credo, Dalézio, que sonzêra…

Coluna de Robson Kindermann

Não são números, são pessoas. Era uma festa familiar, dessas em que reúnem-se tios, tias, avós, avôs. Onde Geovane reuniu os seus e me convidou. Nessas festas, conversei algumas vezes com seu Dalézio, que me lembra muito meu pai. Nunca se ouviu uma bobagem da boca dele, sempre soube respeitar o outro. Um senhor estudioso da vida, da espiritualidade. Não sei porque, me senti da família. Lembrei muito da Dona Neide (esposa) e Dona Dete na despedida dele desse mundo. E a gente sabe que é apenas um até breve. Mas, sua ausência dói.
A pandemia mudou o mundo. Não apenas isso, mudou nossos hábitos. Vivemos sobre restrições, nos distanciamos das pessoas fisicamente – hoje estamos percebendo nossas fragilidades. Talvez a vida nunca mais volte como era antes. As regras básicas são: lavar as mãos, usar máscaras e evitar contato com outras pessoas. Já estamos acostumados. Quando teremos nossa vida de volta?
Seu Dalézio marcou época, marcou a nossa juventude. “Seu Dalezio, nessa seleção quero fita cromo”. Depois veio a época das gravações em CDs. Só ele tinha os originais, comprava todos os lançamentos. E lá íamos nós gravar. E ele, com uma paciência imensa, atendia todas as classes sociais, pobre, rico, magro, gordo, etc… muita gente passou por lá. Era gentil e grato. Tinha um coração precioso. Ele vai continuar iluminando por onde passa.
A vida existe física e espiritualmente. Acredito, sim, em um novo estilo de vida. Ou seja, é a hora de reavaliarmos nossa vida. Uma família existe onde há laços duradouros de amor, onde há laços profundos e verdadeiros de amizade. Uma família se faz através de nossa iniciativa de nos aproximarmos das pessoas que compartilham conosco de uma mesma essência. Eu sei, nas melhores festas ainda vai muito se ouvir: “Credo, Dalézio, que sonzêra…”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Folha do Vale