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Covid-19: Retorno das aulas presenciais é incerto

O Comitê Estratégico de Retorno às Aulas Presenciais, órgão formado por 15 entidades estaduais, apresentou em 28 de julho o primeiro conjunto de diretrizes para a volta às salas de alunos e professores em Santa Catarina. Em 47 páginas, se listam as condutas que devem ser adotadas. Entre as diretrizes sanitárias, estão o uso de máscaras por todos os professores e alunos — os primeiros deverão trocá-las ao fim de cada aula e os segundos, a cada duas horas – e, entre outras, a suspensão das atividades esportivas coletivas.
Por ocasião da divulgação das diretrizes, o secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni, afirmou que não há uma data definitiva para o retorno do ensino presencial, que isso ainda dependerá da situação da pandemia de coronavírus. Porém, deu a atender que o Governo do Estado avalia, sim, a possibilidade ainda em meio ao atual quadro de pandemia. Chegou a dizer em entrevistas que não há opção aos pais de não querer mandar os filhos para a escola. “No conjunto geral, aqueles que não tiverem impedimento, que podem retornar e não quiserem, vai ter que haver conversas”, afirmou. O decreto estadual 724 suspende as atividades nas escolas até 7 de setembro, mas o mais provável é que esta data seja estendida.
As declarações do secretário estadual deixaram preocupados pais e familiares. Muitos têm se manifestado contra a volta das atividades presenciais já em setembro e há até aqueles que defendem um retorno somente em 2021. É o caso da comerciante Ivete Cavalheiro, de Braço do Norte, que tem uma filha que faz faculdade e outra, de 10 anos, em escola estadual. “Todos os pais sabem que criança é difícil de controlar. Como é que nós vamos garantir que elas não terão contato umas com as outras, que vão cuidar totalmente da higiene, que vão seguir protocolos de segurança?”, indaga. “Eu sou da seguinte opinião: nessa situação extrema, não vejo problema algum em a criança repetir o ano letivo em 2021. Por mim, poderíamos considerar este ano perdido e recomeçar no ano que vem”, opina.

Mãe de menina em idades escolar, comerciante Ivete defende volta às aulas regulares somente em 2021


Entre os municípios que integram a Amurel (Associação de Municípios da Região de Laguna), as medidas de combate à pandemia de coronavírus são discutidas por um órgão formado por técnicos, funcionários dos 18 municípios associados, chamado Comitê Extraordinário Regional de Acampamento à Covid-19. O grupo é coordenado pelo técnico sanitarista Alex da Silva de Bem, de Laguna, que, pessoalmente, não concorda com o retorno em breve das aulas presenciais. “O Comitê, como entidade, ainda não discutiu e não tem um posicionamento oficial sobre este tema. Acredito que entrará logo em pauta. Mas, como pai, posso afirmar que, da forma que pandemia tem se apresentado na região, eu não deixaria minha filha, que estuda em escola pública, voltar às aulas tão cedo. Embora os riscos não sejam grandes para as crianças, a situação é muito complexa, pois a possibilidade de contágio comunitário é enorme”, comenta. “Pessoalmente, sou contra o retorno das aulas tão cedo. Como coordenador do Comitê, não posso votar nas nossas deliberações, mas acredito que a maioria dos nossos membros tem esse mesmo posicionamento”, analisa.

BN afirma: retorno somente quando tudo estiver seguro

A secretária municipal de Educação, Desporto, Cultura e Turismo de Braço do Norte, Joana Silva Lessa, afirma que o órgão vai estudar as diretrizes apresentadas pelo Governo do Estado. Porém, de antemão, assegura que, no âmbito do município, as atividades presenciais não estarão de volta até que tudo esteja seguro para alunos, familiares e professores. “Não sabemos ainda se vamos aderir às diretrizes apresentadas pelo Estado. Pelo o que se apresenta no nosso município, um retorno das atividades em setembro seria inviável. O mais provável é que, diante dessa possibilidade, analisaremos as diretrizes e iremos elaborar nosso próprio protocolo de segurança, pois há uma série de questões específicas, de realidades de Braço do Norte, que precisam ser levadas em consideração. Tudo isso ainda será debatido de forma ampla, especialmente junto ao Conselho Municipal de Educação”, informa.
“Os pais podem ter certeza de que só retornaremos quando tivermos total segurança. De uma forma ou de outra, é preciso que compreendam que o direito da criança à educação é importantíssimo, portanto, precisa ser respeitado. O direito de todos à saúde também é importante. Por isso que tudo isso precisa ser debatido de forma ampla, para chegarmos um entendimento, a um equilíbrio dessas questões”, defende.

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Folha do Vale