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Covid-19 – Empresária, em isolamento, grava vídeo sobre sua recuperação e faz apelo

“Levem a sério, fiquem em casa, empresários, por favor, fechem suas empresas, é uma decisão difícil, mas tenham em mente que precisam estar saudáveis para quando tudo isso passar”

A empresária Ariene Wessler Sombrio, de 37 anos, que foi diagnosticada, ao lado do marido Glauco Della Giustina Sombrio, com o Covid-19, gravou um depoimento de vídeo após a manifestação do prefeito Beto Marcelino pelas redes sociais na manhã desta sexta-feira, 27 de março. Ariene apoia a decisão de se manter os estabelecimentos comerciais fechados até a próxima terça-feira, 31 de março.

No seu depoimento, gravado em sua residência onde está em quarentena com o esposo, a empresária lembra que o Covid-19 é coisa séria, “não é uma gripe”, como muitos defendem. “Se eu não tivesse buscado o tratamento rapidamente, poderia ser uma das pacientes que estaria lá em Tubarão, na UTI, entubada, com problemas respiratórios”, diz no início do vídeo que tem 3min40”.

Ariene sabe que não será fácil a retomada empresarial. “Eu e meu irmão, com certeza vamos passar um perrengue até o final do ano. Mas, neste momento, a gente está prezando pela saúde; nossa e de nossos familiares, filhos e, principalmente, de nossos colaboradores”, acredita. “A gente vai ter que renegociar muita coisa e mesmo assim, a gente optou em seguir o decreto. São só dois dias a mais. E quando voltar, retornaremos as atividades, não a normalidade. Respeitem, fiquem em casa. Nosso hospital não tem UTI. Se o negócio entrar em caos não vai ter UTI nem nas cidades vizinhas. Este vírus é altamente contagioso, muita gente vai ter contato com ele”, explica porque defende do isolamento. “É bem melhor a gente ter contato com o vírus aos poucos e todo mundo ser tratado, do que todo mundo ficar doente junto e os médicos começarem a escolher”, completa.

Entrevista

Qual o momento mais difícil até agora: da doença e do psicológico?

Ariene – Primeiro dia: o medo de ter o coronavírus. Só que desde que pisei no Hospital duas coisas que foram meu alicerce pra me manter firme: Deus e minha família! Um enfermeiro me disse, ‘Ariene, cuida da sua cabeça, ela vai mandar muito no que vais sentir daqui em diante’, e ele tem tinha e tem toda razão.

Depois da alta do hospital, você continua em isolamento até quando?

Ariene – Continuamos em isolamento até segunda-feira, 30 de março.

Qual a mensagem que deixa para a população?

Ariene – Levem a sério. Fiquem em casa. Empresários, fechem suas empresas. É uma decisão difícil. Aqui, fizemos isso. Tenham em mente que precisam estar saudáveis para quando tudo isso passar, será difícil para todos. Já temos os profissionais da saúde, nos mercados, farmácias que precisam cumprir seu papel. A você, fica o apelo: fiquem em casa por eles. Você que está em casa com sua família, se cuide. Ore, e agradeça por estar bem. Pessoas assintomáticas podem estar disseminando o vírus, todo cuidado é pouco, não vamos virar a Itália. Vamos fazer diferente, vamos lutar e vamos vencer. Será inevitável as mortes, infelizmente, mas que sejam poucas. Que não entre em colapso o sistema de saúde para que todos possam ser tratados, levem a sério: fiquem em casa. Meu marido e eu estamos, sem nossos filhos, mas estamos aqui. As pessoas se solidarizam: nosso prédio todo nos ajudando e ajudando idosos que aqui residem. Todos conseguem… Fiquem bem e fiquem com Deus.

Seis dias internada

A empresária deu entrada no Santa Teresinha em 16 de março e ficou no Hospital seis dias e hoje continua o tratamento em casa, com o marido, que também testou positivo, um dia após Ariene ingressar no hospital.

Como o casal foi diagnosticado, Ariene teve alta no sábado, 21 de março, para que os dois possam continuar o tratamento juntos em casa, mas a separação dos filhos continua. “Isso é a pior parte de tudo! Não poder ver a família e estar longe dos meus pequenos dói demais. Sei que estão bem, falo sempre que possível pelo celular, estão sendo muito bem cuidados e amados por uma família que honrosamente os assumiu nesse tempo, mesmo sabendo que eles também podem estar com o vírus”.

Os pais do casal são idosos, estão no grupo de risco e por isso tiveram que pedir ajuda a outras pessoas que abraçaram a família com muito amor e solidariedade. “Nosso sentimento é de gratidão eterna”.

Ariene ressalta que o hospital está com uma estrutura muito boa, limpo e organizado, que foi muito bem tratada e viu que a todo momento eles estão se preparando. “Tudo que vocês veem na televisão ocorre ali. Fui para o isolamento, o cuidado no contato comigo, tudo igual. O que eles fazem e as ações da prefeitura de Braço do Norte são um exemplo a ser seguido por todos os municípios”, sugere Ariene.

Uma semana depois de deixar o hospital, com pouca tosse e leve dor de cabeça, ela continua em tratamento domiciliar com vários remédios. Na próxima segunda-feira, depois de 15 dias, ela e o marido poderão voltar a abraçar os filhos.

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Folha do Vale