terça-feira, janeiro 19Diário online de Braço do Norte

Coordenador de pesquisa contra Covid é de BN

O novo coronavírus transformou completamente a sociedade em uma escala global e teve um efeito devastador, especialmente nos idosos frágeis. Além dos ensaios para a criação de uma vacina eficaz, também se faz necessário a elaboração de medicamentos para tratar os sintomas, especialmente os mais graves, ligados a deterioração pulmonar provocada pela Covid-19. E é justamente à frente de um ensaio clínico desta envergadura que está o braçonortense Luis Everton Esmeraldino. Graduado em farmácia e bioquímica e mestre e doutor em ciências farmacêuticas, ele é o responsável por desenvolver o COVA no Brasil.
“COVA é o nome do estudo clínico de um medicamento experimental chamado BIO101, desenvolvido na Universidade de Sorbonne, em Paris, na França. O programa internacional foi criado para avaliar a eficácia e segurança deste medicamento como tratamento da deterioração respiratória em pacientes com insuficiência respiratória derivada da Covid-19”, explica Luis.
Além de coordenar todas as etapas da parte brasileira do COVA, Luis Everton foi o grande responsável por conseguir a aprovação do estudo junto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), realizar a contratação dos hospitais e desenvolver toda a logística necessária para que o programa possa ser realizado.
O estudo é assinado pela francesa Biophytis AS, empresa de biotecnologia de estágio clínico, especializada no desenvolvimento de possíveis medicamentos para o tratamento de doenças relacionadas à idade, inclusive doenças neuromusculares.
A medicação que será testada, o sarconeos (BIO101), também é empregada em outros estudos clínicos. Um deles visa melhorar a função muscular em pacientes idosos com sarcopenia (diminuição da massa muscular). O sarconeos também está sendo desenvolvido para melhorar a função respiratória de crianças com distrofia muscular de Duchenne (DMD), cujo estudo ao nível mundial também iniciou neste segundo semestre de 2020.

Como será feito o estudo do medicamento no Brasil

A escolha do Brasil para participar dos primeiros testes clínicos sobre a eficácia do sarconeos não é por acaso: as Américas são o novo epicentro da pandemia do coronavírus, e o Brasil, atualmente, ainda enfrenta altos índices de transmissão da doença.
O COVA está sendo realizado em mais de 30 hospitais pelos Estados Unidos, França, Bélgica, Inglaterra e Brasil. Aqui, o estudo é realizado em 10 diferentes centros hospitalares. O principal deles é o Incor, em São Paulo.
Inicialmente, o estudo avaliará se o medicamento BIO101 será benéfico no tratamento das lesões pulmonares provocadas pelo vírus da Covid-19. Metade dos voluntários tomarão o medicamento e a outra metade irão tomar um placebo. “Depois que todos os 200 voluntários forem tratados, será realizado um estudo estatístico para verificar se os pacientes que tomaram o BIO101 tiveram uma melhora nas funções pulmonares e arteriais”, detalha o doutor em ciências farmacêuticas e responsável por viabilizar o estudo no país, Luis Everton Esmeraldino.
No contexto da crise mundial causada pela Covid-19, o objetivo é trazer no menor tempo um tratamento médico que ajudará a prevenir maior deterioração respiratória em indivíduos que apresentam manifestações respiratórias graves provocadas pelo novo coronavírus.

Situação na região ainda é considerada grave

Pouco mais de sete meses após o primeiro caso de Covid-19 na Amurel, a região contabiliza quase 18 mil casos confirmados da doença até esta terça-feira (20). Tubarão é a cidade com o maior número: mais de 6 mil.
Em seguida está Braço do Norte (2.144 confirmados), Imbituba (2.039), Laguna (1.126) e Capivari de Baixo (1.060). Na Amurel, 212 pessoas morreram em decorrência do novo coronavírus desde o dia 15 de março, início da pandemia.
Os números são altos e, apesar do declínio de casos notificados nas cidades, a situação da região ainda é considerada grave pelas autoridades municipais de saúde.
“Acreditamos que a baixa procura por atendimento ocorre devido a um grande número de pessoas apresentarem apenas sintomas leves. Em virtude disso muitos não consideram importante procurar a unidade de saúde”, analisa o secretário de Saúde da Prefeitura de Braço do Norte, Sérgio Fernando Domingos Arent.
Segundo ele, esses casos subnotificados preocupam a Vigilância Epidemiológica, pois não possibilitam o monitoramento das pessoas infectadas pelo novo coronavírus. “Por isso ressaltamos a importância dos cuidados pessoais e o distanciamento social. Ainda é um momento perigoso”, reforça Sérgio.
No Vale, as cidades vêm alterando os protocolos de enfrentamento no sentido de autorizar a retomada gradual e monitorada das atividades, sempre dentro das regras impostas pelo estado. Tanto, que festas e eventos sociais estão permitidos desde que realizados dentro do limite de capacidade de público do espaço. Para o setor de comércio também houve modificação: a prova de roupas voltou a ser permitida, mas os estabelecimentos precisam higienizar os locais a cada cliente. Estabelecimentos que ofertam serviços relacionados à prática de exercícios físicos, concursos públicos, feiras, esportes, congressos e museus também estão autorizados e retomarem suas atividades.
“É preciso considerar o risco de contaminação para cada atividade. Daí a importância das pessoas, sejam clientes ou empresários, avaliarem suas posturas e estarem unidos nesta luta. A situação da nossa região ainda é considerada grave e, por isso, não podemos relaxar na prevenção”, destaca o secretário.

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Folha do Vale