Como fica a economia em 2020?

Coluna semanal de Antenor Turazi para a Folha do Vale

Depois de uma experiência de convivência com o coronavírus no mês de março e também em abril, iniciamos o mês de maio sem grandes mudanças no comportamento da economia brasileira. Existem sinais de que as modificações significativas virão apenas no segundo semestre. Neste momento, as incertezas levaram os consumidores a se concentrarem em despesas essenciais, como alimentação e medicamentos, adiando os planos de trocar de carro, de comprar uma televisão maior ou de adquirir outros itens, que podem ficar para depois. Há um represamento natural do consumo diante de um horizonte de curto prazo ainda muito incerto. Em relação ao futuro e ao retorno à normalidade, uma pesquisa realizada pelo Grupo Croma, mostra que muitos acreditam que nos próximos dois meses o país estará com a situação restaurada, enquanto 42% acreditam que só depois do segundo semestre as atividades voltarão a normalidade (19% em três meses e 23% em quatro ou mais meses). Outros 8% não souberem dizer. Uma resposta dominou a pesquisa: do universo de entrevistados, 80% disseram estar “muito preocupados” ou “extremamente preocupados.” Quase metade da população afirma ter sido impactada financeiramente pela pandemia, principalmente autônomos que estão sem rendimentos e pessoas que estão em casa sem poder trabalhar.

HÁBITOS E COMPORTAMENTO

De acordo com o estudo capitaneado pelo economista Edmar Bulla, fundador do Grupo Croma, hábitos como lavar tudo o que entra em casa, cuidar da casa sem faxineira e home-office tiveram ligeira queda, mas se mantêm presentes, bem como as compras on-line em mercados e delivery de comida. Outros hábitos se tornaram presentes também, como o resgate de cozinhar em casa (68%) e a nova modalidade de entretenimento das lives (58%). A compra de itens para proteção pessoal e da família permanece estável, porém, com queda na compra de máscaras descartáveis, em contrapartida ao aumento da compra de máscaras reutilizáveis de tecido. As mudanças no modelo de compras estão incorporadas no hábito durante a quarentena, principalmente as compras em maior quantidade e menor frequência e aquelas feitas em mercados de bairro. Houve queda na compra de sabonetes, álcool em gel e papel higiênico. Os canais de streaming de vídeos continuam fazendo parte da vida da maioria dos entrevistados (76%) e os aplicativos de bancos continuam sendo utilizados por metade da população (50%). Já celulares (15%), televisores (8%) e notebooks (7%) foram os itens de bem de consumo mais comercializados desde o início da pandemia, enquanto 60% não compraram nenhum artigo desse segmento, poupando as reservas para o pagamento de contas, alimentação e itens de higiene. Passada a quarentena, 56% pretendem manter o home office como meio de trabalho, 51% continuarão buscando novos conhecimentos e 48% dos entrevistados reavaliarão crenças e valores.

PETROBRÁS

A petroleira exportou 30,4 milhões de barris de petróleo em abril, montante equivalente a 1 milhão de barris vendidos ao mercado internacional por dia. A marca representa novo recorde de exportação de petróleo e contribui para reforço do caixa da companhia. O volume exportado em abril é 145% superior ao comercializado internacionalmente em abril de 2019. O recorde anterior era de 771 mil barris por dia, alcançado em dezembro de 2019. O resultado ocorre em período desafiador da economia mundial, com grande redução da demanda global por petróleo e derivados, ocasionada pelo surto do novo coronavírus. Em função da forte contração do mercado nacional, a Petrobras está direcionando esforços para exportação de sua produção, após atendimento à demanda interna.


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