A ideia de que esperar sempre pelo pior nos prepara melhor para a vida é mais comum do que parece. Mas pode estar equivocada. Nesse artigo proponho uma reflexão direta: antecipar o sofrimento não reduz a dor, apenas prolonga a angústia.
A vida tem um componente aleatório? Com certeza.
Coisas ruins acontecem com pessoas boas.
Coisas boas acontecem com pessoas ruins.
Eu já tive uma vida muito boa e vi amigos passarem por situações terríveis. Durante muito tempo, fui uma pessoa extremamente pessimista. Se embarcasse em um avião, tinha certeza de que ele iria cair. Vivia sempre esperando pelo pior.
Curiosamente, tornei-me a pessoa que eu mais temia: um otimista.
Percebi que, se você passar um mês se preparando para uma notícia ruim, quando ela finalmente chegar, nada terá te poupado daquele momento. A dor é a mesma. Você vai, inevitavelmente, “de cara no chão”.
Existe uma certa arrogância na crença de que o pessimismo nos torna mais preparados ou mais fortes. Não torna. Antecipar o sofrimento não diminui o impacto dele; apenas prolonga a angústia.
Por isso, hoje prefiro pensar que tudo vai dar certo.
Se, ao final do mês, tudo tiver corrido bem, terei vivido trinta dias mais leves. E, se der tudo errado, pelo menos aproveitei os outros 29 — em vez de sofrer antecipadamente por algo que eu não podia evitar.
Rir das próprias neuroses e dos tombos que a vida impõe talvez seja um dos maiores sinais de maturidade emocional.
E há um detalhe interessante: do ponto de vista da neuropsicologia, o riso não é apenas simbólico. Ele altera, de fato, a química do cérebro — e, com isso, muda também a forma como atravessamos a vida.

Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo (CRP 12/05587) e autor de vários livros de autoajuda. @robsonkindermannsom