A vida não vem com receita pronta. Não aponta qual é o melhor caminho, nem entrega respostas claras sobre o que fazer em cada encruzilhada. Neste fim de ano, ao reler passagens da Bíblia, especialmente as palavras de Jesus Cristo, o “JC” como gosto de chamá-lo, me veio a imagem de alguém profundamente humano: um bom ouvinte, acolhedor, atento às dores alheias. Em certo momento, ele diz algo como: “falando, vocês não aprendem”. Talvez porque algumas coisas só se aprendem vivendo, sentindo e se relacionando.
No dia 20 de janeiro teremos um churrasco com os amigos. Amigos que já são irmãos. E o bom da vida é isso. Esses encontros não resolvem nossos problemas, não tornam o caminho mais leve automaticamente, mas fazem algo fundamental: nos ajudam a acordar e viver melhor nos dias seguintes. É uma turma que cresce, mas cresce sustentada por uma palavra simples e poderosa: acolhimento.
A neuropsicologia confirma aquilo que a vida sempre ensinou. Somos seres sociais. Nosso cérebro se desenvolve, se organiza e encontra sentido na relação com o outro. Não fomos feitos para viver sozinhos. Precisamos pertencer, ser aceitos, ser inteiros diante de alguém. O vínculo reduz sofrimento, fortalece a saúde emocional e nos ajuda a enfrentar a complexidade da existência.
No fim das contas, talvez a vida não precise ser tão complicada. Rir das mesmas coisas, se divertir com o banal, estar junto sem grandes explicações. Não é assim que a vida deveria ser? Simples, humana e compartilhada. Porque, se pensarmos bem, o que realmente precisamos não é de respostas prontas, mas de encontros que acolhem.

Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo (CRP 12/05587) e autor de vários livros de autoajuda. @robsonkindermannsom