A praia, em si, já carrega uma energia boa. O mar, a água salgada, o vento no rosto e o pé descalço na areia. Tudo ali faz bem. Quantas vezes, ao longo do ano, a gente tira o sapato e pisa o chão sem pressa? Na praia, a caminhada é livre, quase terapêutica. A gente troca energias, descarrega o peso dos dias, se renova. O corpo relaxa, a mente desacelera e o coração encontra um ritmo mais humano.
Na praia, as famílias se aproximam de um jeito raro. Dividem o prato, repartem o mesmo pão, a mesma conversa. Tudo vira confidência, tudo vira escuta. Pai, mãe, irmãos, primos. Todos ali, ao mesmo tempo, na mesma hora. Não há urgência, não há relógio mandando. São momentos simples, cotidianos, mas que se tornam únicos. E justamente por isso, eternos.
Lembro da casa de praia da Dona Osmarina, amiga da minha mãe. Ali, entre um café e outro, falávamos da vida dela: das viagens, do trabalho, das rotinas. Em meio às conversas, descobri que, em São Paulo, ela e minha mãe haviam comprado meu enxoval. Aquilo me atravessou de um jeito bonito. Percebi que, muito antes de eu entender o mundo, já havia cuidado, afeto e dedicação sendo tecidos em silêncio. A praia também é isso: um lugar onde as memórias ganham voz.
E tem comida boa na mesa. Siri, camarão, peixe fresco, sorvete derretendo rápido demais. A carne suína e a bovina dão uma pausa; os frutos do mar trazem leveza, trazem vida. E para quem não gosta, tudo bem: arroz com ovo resolve qualquer história. O que importa não é o cardápio, é o encontro. A vida é curta. Então coma a sobremesa primeiro. Porque a praia, no fim das contas, é exatamente isso: a sobremesa da vida.

Robson Kindermann Sombrio
Psicólogo (CRP 12/05587) e autor de vários livros de autoajuda. @robsonkindermannsom