Chapa 3 quer transparência na Cergapa

Calinho e Nino dizem que associado não tem informações sobre o que acontece nas decisões da Cooperativa de Grão-Pará

 

A eleição da Cergapa (Cooperativa de Eletricidade de Grão-Pará) acontece no próximo sábado, 7 de março, das 9h às 16h, na Escola Estadual Doutor Miguel de Patta. Encerrando nossa série de entrevistas, ouvimos esta semana os candidatos da “Chapa 3, Juntos somos mais fortes!”, Carlos Alberto Meurer Müller, o “Calinho”, e Cedenir da Silva Honorato, o “Nino”. Saboreando o Café da Folha oferecido pela Panificadora Nack, os dois ressaltaram a falta de transparência dos atos da atual diretoria, bem como elencaram algumas ações, principalmente na área social, que querem realizar.

Por favor, gostaria que vocês se apresentassem.
Calinho – Meu nome é Carlos Müller, tenho 49 anos, sou casado com Deise, tenho dois filhos, Helena e Carlos Junior. Empresário rural, desde 2000, quando assumi a granja de meu pai, o seu Miguel. Em poucos anos, e em uma parceria com a Seara, transformamos a pequena granja, de 250 matrizes, em uma UPL (Unidade Produtora de Leitão), com 1.100 matrizes, hoje com 11 funcionários. Além disso, na minha propriedade, trabalho com pecuária de corte. Fui vereador por duas gestões, sendo por dois anos secretário de Esporte e Turismo. Fui responsável, junto com a Administração, em trazer para o Município a final do Dança Catarina, evento estadual promovido pela Fesporte, e uma etapa do Catarinense de Muai Thay, levando, nos dois eventos, o nome de Grão-Pará para toda Santa Catarina e com lotação máxima no Ginásio.

Nino – Eu sou Cedenir da Silva Honorato, tenho 31 anos, sou casado com Ana Paula. Vereador reeleito, sendo o mais votado na última eleição e o mais jovem na primeira. Fui presidente do Legislativo em 2016. Por estar na oposição, neste período da Administração, sempre fui um dos mais ativos e fiscalizadores na Câmara. Porém, sempre apoiei os projetos vindos do Executivo que venham a somar ao Município. Trabalhei na Secretaria da Família e Desenvolvimento Social como Gestor do Programa Bolsa Família, de 2009 a 2012, e, por muito tempo, no Posto Grão-Pará, como gerente de pista. Ainda atuei, de 2016 a 2019, na Central de Distribuição e Operação da Cergapa, me demitindo, no final de 2019, para viabilizar minha candidatura ao Conselho de Administração da Cooperativa.

Como vocês encaram o fato de serem rotulados como candidatos políticos?
Calinho – A política está presente em todos os lugares. É dela que surgem as importantes decisões do nosso dia a dia. Me orgulho de fazer parte da classe política, que leva a sério sua verdadeira função. Lembro que há, praticamente, três anos, e meio estou afastado da política partidária. Quanto ao rótulo de ser o candidato político, friso que todos os demais candidatos a presidente da Cergapa estão filiados em algum partido. Portanto, todos são políticos.

Nino – Sou o único vereador do MDB eleito na cidade, apesar de afastado para concorrer à eleição da Cergapa. Não mudei meu jeito de ser nos últimos anos. Entendo a política como sendo uma forma de ajudar as pessoas. Penso que, na Cergapa, poderemos ajudar ainda mais e mostrar para a juventude os valores que o cooperativismo e a boa política trazem para o progresso e desenvolvimento de qualquer cidade e região. Quem conhece o Calinho e a mim sabe que não praticamos a politicagem e o jogo de interesse, típicos da política suja.

Como surgiu a vontade de vocês estarem juntos?
Calinho – Não é segredo para ninguém que faço parte de grupos que discutem o futuro de Grão-Pará. Não só as ações políticas, mas tudo que vem pelo desenvolvimento da cidade. O Nino também é cercado de boas pessoas que querem o melhor para o município. Um grupo de amigos me convenceu a sair de candidato. Como Nino e eu já atuamos juntos na Câmara de Vereadores, ficou fácil montarmos um projeto para a Cergapa. Nossa chapa procurou abranger grande parte do município, colocando representantes de quase todas as comunidades e do Centro na Chapa 3, apresentando diversas propostas para melhorias na Cooperativa. Surgiu aí nossa candidatura, tendo como base principal a transparência, mais eficiência na distribuição da energia, sem esquecer o trabalho social que a Cooperativa pode realizar.

Como vocês pretendem fazer isso?
Nino – Hoje não existe transparência na Cergapa. O associado não tem acesso às informações necessárias. Para você ter uma ideia, somos candidatos, mas não tivemos acesso à lista dos associados aptos a votar. A cooperativa não forneceu a lista que solicitamos. Queremos melhorar as redes, levando energia trifásica em locais ainda desassistidos e dar melhores condições de trabalho para os colaboradores, a fim de que possam realizar com mais eficiência e segurança o seu trabalho. Já na área social vamos buscar parcerias com o setor de saúde, oferecendo atendimentos médicos, de dentistas e laboratoriais. Na questão da educação, além de ampliar o apoio ao transporte dos estudantes, queremos viabilizar parcerias com universidades, para melhor atender os associados e suas famílias. Para os alunos mais novos, vamos fomentar a educação cooperativista, com ênfase ao uso consciente de nossos recursos naturais e energia elétrica.

Por que vocês insistem em afirmar que não há transparência?
Calinho – O associado tem que saber onde e de que forma é investido o dinheiro da Cooperativa. Não há, hoje, um site com informações atualizadas de como está sendo colocado o dinheiro. Propomos a criação, imediata, de uma agência virtual e um portal de transparência. É inadmissível, nos dias de hoje, uma distribuidora de energia não ter no seu site on-line o serviço de segunda via da fatura ou histórico de consumo do cliente, dentre outras informações.

Nino – As assembleias também são feitas de forma superficial. Sem entrega de material algum aos associados. Queremos que o associado se sinta motivado a participar e a decidir, juntamente com a administração e a diretoria. Isso é cooperativismo: o associado saber e poder decidir os rumos da Cooperativa, o que não acontece atualmente.

Como você pretende dividir seu tempo se for eleito presidente entre a sua empresa rural e a Cooperativa?
Calinho – Graças ao nosso bom trabalho realizado em família, posso assegurar que a granja está sendo bem tocada por nossa equipe que envolve também os colaboradores. Portanto, minha presença, neste momento, é necessária apenas para as questões administrativas e estratégicas. Prova disso é que estamos, nos últimos dias, em intenso trabalho de campanha e o trabalho na propriedade continua com eficiência. Estarei à disposição diariamente na Cergapa. Lembro também que o Nino tem uma importante experiência na cooperativa e estará ao meu lado na resolução dos problemas que possam aparecer no dia a dia, sempre com o aval da diretoria da cooperativa e associados.

Vocês têm acesso ao número de inadimplentes da Cergapa?
Calinho – É outra informação que a cooperativa não fornece. Aliás, sabemos que muitas empresas, não cumprindo com suas obrigações, ficaram devendo nos últimos anos mais de R$ 1 milhão em dívida, e outra que deve praticamente o mesmo valor e ainda está em funcionamento, sem que a energia tenha sido cortada. Por que uma casa de um consumidor que fica devendo R$ 100 tem a energia cortada em poucos dias e uma empresa pode ficar com uma dívida milionária que será paga por todos associados? Neste momento, uma assembleia deveria ser convocada para, especificamente, se tratar deste assunto. Não estamos aqui incentivando a inadimplência, nem contra o empresário, que também gera empregos, mas a pergunta é: não deveríamos deixar o associado, que vai pagar a conta, decidir? A responsabilidade deve ser de todos.

E sobre a experiência administrativa, o que vocês têm a dizer?
Calinho – Não preciso mais falar sobre minha empresa rural. Por outro lado, lembro que estive à frente de entidades, voluntariamente, por exemplo, no Conselho Pastoral Comunitário, CPC da Comunidade de Linha Antunes Braga e na presidência da Associação Atlética Clube dos 20. Experiência importante para saber coordenar e dividir compromissos com a diretoria. Pois cada um da Chapa 3, com sua vivência particular de administrador, assim como todos os colaboradores da Cergapa, pode contribuir, de certa forma, com nossa boa gestão.
Nino – Gostaria de frisar que fui criado desde pequeno com meus pais na agricultura. Hoje administro uma propriedade rural que cria gado de corte e reflorestamento de eucalipto. Quando fui gestor do Cadastro Único para programas sociais do Governo Federal, vivenciei a realidade das pessoas de baixa renda. Sei como ajudar estas pessoas a terem desconto na conta de energia, com aplicação das tarifas sociais estabelecidas pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]. Minha experiência como vereador nos últimos oito anos e a minha passagem nos últimos três anos pela Cergapa foram importantes para que eu observasse o que pode melhorar dentro da cooperativa. Sabemos que, na fatura que vem da Aneel, pouco pode ser mexido em termos de valores, mas podemos trabalhar a questão do social. Ações que podem no dia a dia impactar na vida do associado.

Vocês consideram a construção da subestação prioritária?
Calinho – Sim. É uma prioridade. Hoje estamos trabalhando no limite do consumo nos meses de pico. Esta carência de energia impossibilita que novas empresas venham se instalar na cidade. É bom lembrar que deverá ser construída também uma nova rede de transmissão até a subestação, que garante mais segurança ao fornecimento. Estamos cientes do investimento que deve ser feito neste local e sabemos que existem meios de se obter os recursos necessários.


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