quarta-feira, janeiro 27Diário online de Braço do Norte

Céu de Primavera

Artigo de Luno Volpato

Dizer o quê deste espaço, livremente azul, solenemente azul, maravilhosamente azul, azuladamente lindo, implorando para que se lhe deem os mais lindos adjetivos disponíveis em nosso rico vernáculo… Não basta sabê-lo ali, diariamente. É fundamental saber apreciá-lo. E, para isto, é necessário um pouco de sensibilidade… Detalhe este, com que o tempo me brindou. Então, é outro universo, sem dúvidas!


E eu cá fico pensando… Desde quando este céu existe? Desde sempre, claro, mas por que apenas agora eu o observo com tanto carinho? Não me lembro deste céu quando eu era criança. E ele já existia. Não me recordo deste espaço quando era adolescente. E ele já existia. Era o mesmo céu, a mesma grandeza, o mesmo êxtase, a mesma paisagem e majestade…
O universo já era o mesmo. A civilização egípcia, a cultura grega, o Império Romano a Idade Média passaram… E o céu de Primavera lá estava, soberano, imenso, imponente, definitivo. Veio a Revolução Francesa, a Primeira Guerra Mundial, a Segunda e o céu de Primavera lá estava…
Enquanto os homens se dizimavam, ensandecidos, desvairados… Enquanto a luta fratricida campeava, enquanto a humanidade desdenhava as conquistas e os avanços dos últimos séculos, o céu de Primavera já lá estava. Calmamente, brilhando na solidão azul e se perguntando por quê? A pobre humanidade, estarrecida, não encontrava em seus arquivos milenares uma resposta adequada, justificável, possível. Havia respostas pouco ou nada convincentes. Era a guerra por um pedaço de chão, por uma ideologia, pela obsessão de poder. Irmão matando irmão… Era a guerra pela própria guerra!


Se ao menos houvesse um ideal supremo, nobre, uma causa digna que justificasse tal barbárie… Mas não! Era a imposição de radicalismos, era o tal de querer ser mais, era uma razão querendo se impor à outra razão, a do vizinho, no caso, mas, antes de tudo era uma iniciativa em nome da irracionalidade, do descontrole emocional de um regime totalitário… Tudo em nome da loucura genocida de um autocrata sem freios e limites em suas pretensões inebriantes, de conquistar mais e mais… De dominar o mundo!
Como pode, eu me pergunto, um ser que se chama “humano” deixar-se dominar por tais extremismos, desvarios, egocentrismo, em nome de um viés ideológico irracional e suicida? E o céu de Primavera, também já estava lá. E a tudo assistiu, a tudo testemunhou, sem nada poder fazer. Lá estava ele, presente. Mas decepcionado e triste… Perplexo! Em momento algum, em respeito ao livre arbítrio e às decisões ainda que arbitrárias, passou pela sua doce mente, dar uma resposta mais dura, castigar…
Abençoado ano em que nasci: 1 9 4 5…


A guerra, que devastou governos, ideologias, sentimentos, histórias, mas principalmente, destroçou vidas, milhares, milhões de vidas inocentes em todos os lugares, arrasando comunidades inocentes, famílias indefesas, não em nome de um povo, de uma razão aceitável, mas em nome do delírio de um genocida, chegara a seu catastrófico final. Aleluia!
Sou um privilegiado por ter nascido à sombra desta paisagem, ao sabor deste cenário, à luz deste céu solidário, agradável, soberano… Em nome da paz! Agora, nenhuma nuvem no imenso orbe cor de anil… Bendito céu de Primavera, silenciosamente azulado, imensamente generoso, fantasticamente cordial que, neste momento, a despeito do isolamento a que somos forçados, se estende calma e livremente sobre o universo… Sobre mim!…

Salve! Salve! Salve céu de Primavera! Infinitamente azul…

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Folha do Vale