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“Cavaleiro da Esperança” passa por Braço do Norte durante a pandemia

Gilberto Utzig percorre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina para ajudar menina que precisa de tratamento

Braço do Norte ficou conhecido no Estado como o primeiro município de Santa Catarina em que o contágio comunitário do coronavírus, que provoca a doença Covid-19, foi estabelecido. São 12 casos confirmados, após duas semanas do registro inicial. Justamente quando todos se perguntam “o que fazer?” surge na cidade o “Cavaleiro da Esperança”. Diferente dos heróis dos filmes em que os personagens têm superpoderes, o maior poder que o gaúcho Gilberto Luiz Utzig tem é de levar a esperança para quem precisa de ajuda.

A história de Gilberto, ou, simplesmente “Beto”, que hoje tem 58 anos, iniciou em julho 2017. Após voltar de uma viagem de trabalho no Mato Grosso, o zootecnista ficou sabendo que o hospital de sua cidade, São Luiz Gonzaga (RS), estava para fechar as portas. Com uma dívida de R$ 12 milhões, amargava atraso de R$ 2 milhões no repasse do Estado, assim como os 240 hospitais filantrópicos gaúchos. “Como não via a mobilização de ninguém para resolver o problema, decidi tomar uma atitude”. Iria a cavalo, até Brasília denunciando por onde passasse a falta de atenção com a saúde no Rio Grande do Sul e mobilizaria todas as forças políticas possíveis para manter os 120 leitos e os 300 empregos daquele hospital público.

O cavaleiro saiu do município de São Luiz Gonzaga em 6 de agosto e chegou na Capital Federal em 13 de novembro. Recebeu abrigo no CTG Jayme Caetano Braun. Gilberto cavalgou sozinho, tendo como companhia apenas duas éguas crioulas, uma para montaria e a outra que era substituída quando a primeira cansava até chegar em Brasília. Foram 2.700 quilômetros e 103 dias, passando por sete Estados. “Não levei R$ 1,00 no bolso. Apenas uma mala de garupa com algumas roupas, pão, salame e rapadura. Decidi que iria contar com a solidariedade de quem eu encontrasse no caminho”, esclarece.

Salvando o hospital

Uma entrevista para a Rede Globo, quando iniciou seu propósito abriu portas, pois por onde passava, concedia entrevistas e era reconhecido. Por isso em Porto Alegre, relata o cavaleiro, que teve uma audiência com o governador do Estado, Ivo Sartori durante a realização da Expointer. “Fui pedir ajuda para o hospital e ele viu na imprensa a minha história sem eu causar transtorno a ninguém, sem atacar ninguém, apenas defendendo uma causa que eu acreditava”. Conseguiu através disso R$ 600 mil para o hospital. “Isso mostrou que eu estava no caminho certo”, diz Gilberto.

No período que estava em Brasília, ia todos os dias para a frente do Congresso Nacional com uma de suas montarias. Amarrava o animal em um poste e deixava um balde de água para a égua beber. Cumpriu de segunda a sexta-feira, durante 36 dias que esteve na Capital Federal o mesmo ritual que fez com ele emagrecesse 12 quilos, pois só conseguiu almoçar seis vezes neste período. “Me alimentava de umas mangas. Única coisa que tinha para comer”. Por persistência conseguiu audiência com 25 dos 31 deputados gaúchos, 23 deles ajudaram em sua causa. Também esteve no Ministério da Saúde. No final, angariou R$ 23 milhões em emendas ao hospital de sua cidade. Todas liberadas entre 2016 e 2017.

Novas campanhas

Divorciado e pai de quatro filhas, o zootecnista achou que voltaria a ter uma vida “normal” e retomaria a sua profissão depois de voltar de Brasília. Ledo engano. Os pedidos para que contasse sua história através de palestras se multiplicaram, foram mais de 150. “Eram redes de lojas, indústrias, escolas, bancos, enfim, todos queriam que eu falasse como foi que consegui passar este tempo todo vivendo de solidariedade e, ainda, ter ajudado a manter as portas do hospital abertas”, diz Utzig, que garante nunca ter cobrado nada para realizá-las. “Ao mesmo tempo surgiram pedidos para que ajudasse em outras causas consideradas “difíceis”.

Surge o “Cavaleiro da Esperança”

Como os pedidos para ajudar pacientes que precisavam de tratamento, remédios ou cirurgia se multiplicavam, Gilberto Utzig decidiu criar uma página na internet, e mobilizar a rede de amigos que havia feito durante a cavalgada. Além de seu endereço oficial, o gaúcho possui endereço no Facebook, Youtube e Instagram. Seus mais de 20 mil seguidores multiplicam as campanhas que realiza. Atualmente está na 12ª.

Em 3 de setembro de 2019, após realizar duas palestras em Monte Negro (RS), foi instigado a conhecer, no dia seguinte, a história da menina Lívia Teles, de Teotônia (RS). Um bebê de 9 meses, que aos 4 meses foi diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) Tipo 1, uns dos tipos mais agressivos desta doença genética degenerativa.

Já em 5 de setembro, Gilberto preparou sua montaria e partiu para divulgar mais uma campanha. Enquanto o cavaleiro corta o Rio Grande do Sul e Santa Catarina divulgando a campanha, a família tem feito uma verdadeira peregrinação com médicos e várias terapias. Atualmente Lívia realiza tratamento com o medicamente Spinraza que reduz os efeitos da doença, que atinge principalmente a capacidade de deglutição (levando a dificuldades na de alimentação), insuficiência respiratória e perda dos neurônios motores inferiores que impede o desenvolvimento dos movimentos de braços e penas. O Spinraza precisa ser aplicado a cada quatro meses e por toda a vida.

“Em maio de 2019 foi aprovado um novo medicamento [o Zolgensma] nos Estados Unidos que, através de uma única aplicação cura essa doença. Trata-se de uma terapia gênica que faz com que o cromossoma ausente do código genético passe a ser produzido”, explica o cavaleiro. Este medicamento, no entendo, não foi aprovado ainda no Brasil e, por isso, não pode ser requisitado via judicial ou mesmo comprado. A única opção, no momento, é sua compra e aplicação em outro país em que já tenha sido aprovado, preferencialmente nos Estados Unidos. O custo do medicamento é o principal obstáculo. Ele custa, aproximadamente, 2,5 milhões de dólares, ou seja, R$ 9 milhões.

“Quando me perguntam porque eu não paro de cavalgar durante a pandemia, já que eu posso morrer se pegar a doença eu lembro a todos que estou numa corrida contra o tempo já que a aplicação do Zolgensma precisa ser feita antes que Lívia complete 2 anos de idade. Estamos numa corrida contra o tempo e a sua ajuda é fundamental para que o nosso sonho siga vivo”, explica o cavaleiro. Quando Roberto começou a campanha em setembro, a família tinha arrecado cerca de R$ 200 mil. Hoje já ultrapassa R$ 5,5 milhões. “Vamos, até o final de maio, levantar tudo que é preciso”, acredita.

“As pessoas apoiam e acreditam no meu propósito por, basicamente, três motivos. Primeiro: vou pessoalmente conhecer o problema. Quero conhecer a família, saber se a pessoa que está precisando realmente é merecedora desta ajuda”. O segundo fato é que Gilberto não aceita nenhuma doação em dinheiro em espécie. “Mesmo que queiram me entregar, eu nunca peguei R$ 1,00. O dinheiro deve ser depositado na conta que é devidamente aberta para a campanha”, esclarece. “E, o terceiro motivo de ajudarem, é o fato de eu nunca pedir muito para poucos, mas um pouco para muitos”, detalha.

A passagem pelo Vale

O cavaleiro chegou à região na sexta-feira, 27 de março e ficou alojado no CTG Beira Rio de São Ludgero até o último domingo. Segunda-feira chegou a Braço do Norte e ficou na “Cabanha do Má”, no dia seguinte foi instalado no piquete João Otávio Marcelino, no Rio Bonito. “Quero agradecer a acolhida do povo de Braço do Norte e em especial, aos amigos que fiz aqui. Peço a ajuda de vocês para a pequena Lívia. Hoje é ela que está precisando. Pode ser que, em um futuro breve, eu possa estar ajudando alguém desta região”, diz Utzig que já teve entre Lages e São Joaquim nove pedidos de ajuda. Porém, se comprometeu com dois. Vou ajudar duas crianças, uma de cada cidade destas que citei”, acrescenta Gilberto. Nesta sexta-feira, o cavaleiro parte em direção a Rio Fortuna. Pretende seguir até o Santuário de Madre Paulina e depois a Brusque cortando o Estado na companhia de uma égua, um cavalo, uma mula cargueira e dois cachorros que começaram a segui-lo pelo caminho. “A mula ganhei na serra, há poucos dias e os cachorros começaram a me seguir em Cocal do Sul e de lá para cá não se afastam de mim”, diz o cavaleiro que faz questão de dormir todas as noites, no chão, ao lado dos animais.

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