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Anos de abandono: Cedup de RF reforça o descaso

Aguardado há quase dez anos, o Cedup (Centro de Educação Profissional) de Rio Fortuna voltou a ser assunto no meio político nos últimos dias. O prédio, construído para atender a demanda de toda uma região por cursos técnicos na área agropecuária, segue abandonado e exposto à depredação.
No início do mês, o deputado estadual Bruno Souza (Novo) divulgou nota sobre ações a respeito da obra que ele teria cobrado do Governo do Estado ainda no ano passado. Ele lembrou que o Ministério Público de Santa Catarina tem cobrado da Secretaria de Estado da Educação (SED) a licitação dos reparos necessários para deixar o prédio em condições de abrigar as aulas. Também afirmou que, desde 2017, a SED instaurou uma sindicância para a apurar as causas do abandono da obra e que, até o momento, ainda está inconclusa. Segundo o parlamentar, os recursos aplicados superam os R$ 8 milhões.
A reportagem da Folha do Vale retornou essa semana no Cedup para constatar a situação. Nos mais de R$ 5,5 mil metros quadrados de área construída, é possível observar que o prédio está praticamente concluído. Totalmente pintado, os banheiros estão completos, pátio finalizado e até mesmo o ginásio possui a quadra com traves e tabelas de basquete devidamente instaladas. É possível perceber que tudo, simplesmente, foi deixado ao léu por anos, provocando a rápida depreciação do prédio e o deixando exposto à ação de invasores.
Logo de início, percebe-se que o mato tomou conta de todo o terreno, inclusive no pátio interno da obra, onde as plantas seguramente ultrapassam 1,5 metro de altura. No auditório, o forro de isolamento acústico foi totalmente vandalizado. Em todas as salas aula e demais dependências, a forração com rebaixamento de gesso foi danificada para a extração de fios elétricos e cabos de rede de internet. Algumas das janelas, que são de alumínio, também foram cortadas e levadas pelos ladrões. Em algumas áreas, há marcas de pneu de motocicleta, como na rampa de acesso ao segundo piso do prédio central e na quadra do ginásio, que ficou cheia de “zerinhos”. Há ainda portas danificadas, lâmpadas quebradas e alguns pontos já apresentam infiltração, o que acelera ainda mais o processo de deterioração, além da sujeira acumulada por anos.

Uma história de abandono

Expectativa e descaso envolve a história do Cedup de Rio Fortuna que começou em 2011. Sua construção foi viabilizada, à época, por meio de um programa do Governo Federal e envolvia também a participação do Governo do Estado e da Administração Municipal. A Prefeitura cedeu o terreno e providenciou as instalações elétricas e de água, o Governo Federal entrou com os recursos e com a execução da obra física, além também de garantir a aquisição dos móveis e equipamentos para as salas de aula, biblioteca e laboratórios. Ao Governo do Estado caberia implantar e coordenar os cursos, como de Zootecnia, de Técnico Agrícola e outros que deveriam atender a demanda e a vocação agrícola de municípios do Vale do Braço do Norte e da Região das Encostas da Serra Geral.
“Como sou professor, o processo de construção do Cedup me despertou interesse desde o início. Em 2013, eu era vereador, e lembro que já estava praticamente tudo pronto. Mas, por alguma razão, simplesmente foi abandonado e, até hoje, não há uma explicação ou um posicionamento oficial da Secretaria de Estado da Educação a respeito”, lamenta o atual prefeito de Rio Fortuna, Lindomar Ballmann (PSD). “Eu lembro que, assim que o prédio ficou pronto, acompanhei a visita de um grupo de jovens, interessados em estudar no local. Para se ter uma ideia, de como tudo estava funcionando, essa visita foi à noite, com as luzes ligadas, justamente para mostrar o estágio avançado da obra”, lembra.
Como prefeito, Lindomar afirma ter buscado em várias ocasiões articular uma resolução para o Cedup. “Foram audiências, ofícios enviados, contatos com a SED, nunca obtivemos uma resposta satisfatória ou houve algum encaminhamento de que a coisa poderia finalmente se resolver. Nesses anos, o Cedup de Araranguá demonstrou interesse em coordenar a unidade de Rio Fortuna, assim como o Cedup de Criciúma. Mas, não tivemos nenhuma manifestação da Secretaria de Educação. É de se lamentar, porque, se por acaso o problema, na época, fosse que o Governo no Estado não tivesse condições de implementar os cursos, bastava cuidar do prédio, manter um vigia e fazer uma manutenção preventiva. Porém, a esta altura, o custo para recuperar tudo será muito grande”, avalia.
A falta de interesse da SED em informar a população respeito do que ocorre com o Cedup de Rio Fortuna parece se refletir no relacionamento com a imprensa. Em contato com a Assessoria de Comunicação da Secretaria desde 15 de setembro, em inúmeros momentos a reportagem da Folha obteve o retorno de que um comunicado oficial seria enviado pelo órgão. Essa resposta, porém, até o fechamento desta edição, não havia sido enviada.

Cedup de Rio Fortuna em números

R$ 8,5 milhões o custo estimado da obra até o momento;
5,5 mil metros quadrados é o total de área construída;
12 salas de aula;
6 laboratórios básicos;
1 biblioteca;
1 auditório;
1 ginásio;
2 anos foi o tempo de construção;
7 anos é o tempo que o prédio está abandonado.

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Folha do Vale