sábado, janeiro 16Diário online de Braço do Norte

A vida como ela é…

Coluna de Robson Kindermann

Preciso escrever e me falta ideia. Falta inspiração e transpiração. O que eu tenho? Problemas. Hoje amanheci com uma pedrinha no meu sapato. Jamais estaremos imunes a machucados pelas circunstâncias da vida. Viver é um exercício de resiliência e aprendizado. Só não tem problemas quem vive na superficialidade, os que não se aprofundam. Quem não se expõe a riscos, não vive. Não experimentam desafios e as delícias de acertar. Não conhece o gosto salgado da vitória que transpira e dos olhos que choram. O que penso é que a gente não precisa viver blindado, se protegendo de sentir. Porém, é necessário aprender a se resguardar, a se preservar, a não expor suas dores de graça, nem ser publicitário de suas dificuldades.
Eu sei, a gente se confunde. E entra em cada uma que nem imaginava. Nem sempre a vida é positiva. As pessoas trazem problemas, as pessoas causam problemas. Tem dias que a água está turva e navegamos por águas escuras. Mas, teremos períodos de águas calmas, mansas e cristalinas. Você pode se perguntar onde está aquela calmaria que tinha? Ou, que tempestade gigante tem lá na frente? Tudo está muito incerto. E a gente não sabe o dia de amanhã, nem mesmo o que vem no minuto seguinte. Um texto pode ser um chamado para se libertar da aceleração, aquela lá de fora que internalizamos, ou adentrar em uma dimensão suave a qual reconciliamos com nosso ser. O que eu sei, nada. Simplesmente nada.
Você não vai se curar voltando para o que te deixou em cacos. Você não vai se reerguer reprisando a mesma história dolorosa. Não há segundas chances para aquilo que te causou dor e sofrimento. Só no dia em que você desistir de tentar compreender o incompreensível conquistará fé enorme em si mesmo. O que nos cura não é o retorno daquilo que nos feriu, e sim deixar de tentar consertar o que não tem conserto. Eu sempre me responsabilizo pelos meus atos e meus erros – às vezes. Até demais. E que as coisas poderiam ter agido melhores se a gente tivesse agido diferente. O que nos cura é nos redimir do que não deu certo e seguir em frente, dando uma chance à dolorosa passagem do tempo.
Agora é tempo dos acertos, de reconciliações com as minhas histórias, de me lembrar do passado. De aprender a viver o presente e estar aberto às surpresas boas. Desfrutar da sabedoria e deixar que o tempo vai se descortinar na minha frente. É hora de dar um basta as velhas desculpas e entender de verdade o que é desapego – é uma das lições mais difíceis, porém, mais necessárias que vamos ter. É preciso que sejamos fortes e corajosos para viver a vida que tanto desejamos e sonhamos. Nem tudo nos cabe, editamos lembranças e ventilamos nossas dificuldades. Por fim, às vezes, a gente só quer dar um abraço e alguém que diga que vai ficar tudo bem…

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Folha do Vale