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A mulher que fez um pacto com a vida

Sempre ativa, ainda trabalhando e aproveitando os momentos de lazer com a família e as amigas, Delma de Oliveira Vieira, a “Dona Delma”, aos 79 anos, não imaginava que, pela segunda vez, passaria por um momento crucial na sua vida e que conseguiria superar de forma tão positiva. Há 15 anos, enfrentou um câncer bastante agressivo. Melhorou após cirurgia. Mais recentemente, em agosto deste ano, contraiu Covid-19 e, depois de oito dias internada na UTI, retoma, aos poucos, às suas atividades normais com o bom humor que lhe é peculiar.
No supermercado da família, localizado no Centro de Braço do Norte, atualmente administrado por sua neta, ela faz graça. “Pela segunda vez cheguei a ir para o andar de cima, mas não me aceitaram lá e me mandaram de volta”, diz, sem deixar de lembrar também da seriedade da pandemia. “Essa doença é mesmo muito perigosa. E o que aconteceu comigo veio para demonstrar o quanto é importante se cuidar, se prevenir o quanto puder”, alerta.
Dona Delma teve a confirmação em 22 de agosto, por meio de exame laboratorial, de que havia contraído o coronavírus. Os primeiros sintomas, uma leve dor de cabeça e falta de apetite, haviam surgido dois dias antes. Iniciou o tratamento em casa, mas seu quadro logo se agravou. A filha Graziela de Oliveira Vieira relembra o episódio. “No dia 27 de agosto, após exames de tomografia, foi constatado um comprometimento de 80% dos pulmões. Minha mãe, então, teve que ser internada na UTI, às pressas”, conta.
Na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Socimed, de Tubarão, tudo indicava que a paciente necessitaria de ser intubada. “Apesar dos exames laboratoriais indicarem que iria precisar de intubação, clinicamente não se apresentava dessa forma. Então, a equipe do hospital optou por aguardar a evolução do quadro. A cada dia que passava, ela foi se mostrando estável e, aos poucos, foi melhorando. A alta veio no dia 4 de setembro”, relata a filha, que também tinha seu pai, Ary Vieira, de 85 anos, internado na mesma ala do hospital, porém em quartos diferentes e apresentando um quadro menos preocupante.
Apesar da situação crítica, Dona Delma encarou com resiliência e esperança. Enquanto esteve na UTI, manteve o bom humor e fez amizade com a equipe médica. “No hospital, minha mãe fez sucesso. Ela surpreendeu todo mundo, porque estava sempre divertindo as pessoas. O pessoal comentava conosco sempre que ela era muito divertida”, diz.

Do câncer à superação

A passagem pela UTI para tratar a Covid-19 foi apenas mais uma situação delicada que a Delma de Oliveira teve que enfrentar. Quinze anos atrás, por conta de um câncer bastante agressivo no duodeno, teve que fazer cirurgia arriscada. A operação foi realizada na cidade de Campinas (SP) e, mais uma vez, a pronta recuperação surpreendeu os médicos. Caso melhorasse, a previsão de alta era de, pelo menos, 40 dias. Porém, Dona Delma voltou para casa em dez.
“Essas experiências, com certeza, me fizeram dar mais valor à vida. Quero me recuperar logo. Voltar à minha rotina no trabalho. Não cuido mais da administração do supermercado, mas ainda ajudo no que for preciso. Também quero voltar a dirigir e a andar de bicicleta, coisas que eu fazia antes da pandemia. A também voltar a encontrar as minhas amigas e jogar cartas com elas. Quando a gente se encontra, nos divertimos tanto que as horas passam sem perceber”, afirma animada.
Já curada da Covid, Delma reduziu o ritmo de trabalho, mas ainda marca presença no supermercado da família, um dos mais tradicionais de Braço do Norte e que existe há mais de 60 anos, quando foi fundado pelo seu pai. Conversa com os clientes, distribui simpatia e compartilha do seu bom humor. “Estou sempre por aqui. A gente não pode parar nunca, senão, aí sim, fica doente de verdade. Quando fui para UTI, prometi para a minha filha que voltaria para comemorar com a família e meus amigos o meu aniversário de 80 anos. Agora estou aqui, aguardando o dia 3 de julho de 2021. Até lá, espero que tudo isso (a pandemia) já tenha passado, e que eu possa também voltar a beber a minha cervejinha”, conclui.

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Folha do Vale