Uma rede de apoio, empatia e doação

As Redes Femininas de Combate ao Câncer tornaram-se sinônimo de instituição voluntária no Brasil desde 1946, quando o primeiro grupo destas abnegadas guerreiras foi fundado, em São Paulo. Mais do que proverem informação de qualidade e disponibilizarem exames preventivos, as redes formam uma legião cor-de-rosa de apoio, de empatia, de doação ao próximo.
E não importa de onde elas vêm, como vêm ou se estão ali na batalha contra o câncer ou apenas para doarem o melhor de si. A questão é que elas estão ali: anônimas, mas fortes e dispostas a estender a mão. Este carinho e esta dedicação foi a inspiração para a engenheira química Sibely Amador Oliveira Müller. Ela é de Braço do Norte e atualmente reside em Blumenau. Junho começou com o novo normal imposto pela pandemia.
Em um ultrassom de rotina, um nódulo pequeno na mama direita surgiu na tela. A biópsia confirmou um câncer de mama no início da primeira fase. Aos 34 anos, Sibely enfrentou uma cirurgia e agora trava aquelas “pequenas” lutas para a conclusão do tratamento com quimioterapia. Ora mais forte, ora mais abatida, não importa. Ela volta para casa com a vitória.
Expor sua história não é fácil. Especialmente porque ela não é do tipo que se vitimiza. Falar sobre o assunto é o caminho que ela passou a trilhar para alertar outras mulheres sobre a necessidade do autocuidado, da prevenção. “Todas as mulheres devem prestar mais atenção na sua saúde e no seu corpo. Faça o autoexame, solicite aos seus médicos um ultrassom de mama. Não esperem ter 40, 45 ou 50 anos para isso. A prevenção ainda é o melhor caminho”, ensina Sibely.
Através de suas redes sociais, ela conta um pouquinho da sua batalha. Assim que iniciou a quimioterapia, sabia que iria perder os cabelos. Não esperou: cortou e doou a mecha para a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Braço do Norte.
A perda momentânea de Sibely vai ser transformada em peruca e certamente trará paz e alegria para o coração alguma mulher, em algum momento, em algum lugar!
A família dela tem uma história antiga com a Rede Feminina de Braço do Norte e faz parte desse movimento lindo há muitos anos. Sempre participam dos eventos, pedágios e voluntariado.
“Essas mulheres de rosa fazem um trabalho incrível todos os dias. A mídia vê os eventos, mas a nossa família sempre acompanhou os bastidores e ajudou em tudo que era preciso. Ajudem a Rede Feminina da sua cidade, conheçam um pouco mais do trabalho dessas guerreiras”, convida Sibely.
Doações, participação nos eventos, dedicação de tempo para a entidade e a compra de camisetas do Outubro Rosa, como as que estão a venda agora, ajudam a entidade angariar recursos para manter seus serviços e auxiliar mulheres que não têm condições financeiras.
Em Braço do Norte, a Rede Feminina de Combate ao Câncer fica na rua Jacó Ghizoni, 1981, bairro Nossa Senhora de Fátima. O telefone é o (48) 3658-4321.

Rede quer tratamento em 30 dias

Atualmente, 7,6 milhões de pessoas no planeta morrem em decorrência de câncer a cada ano. Dessas, 4 milhões têm entre 30 e 69 anos. Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a menos que sejam tomadas medidas urgentes para aumentar a conscientização sobre a doença e desenvolver estratégias práticas para lidar com a doença, a previsão para 2025 é de 6 milhões de mortes prematuras por ano.
Para Santa Catarina, o Inca estima que o ano de 2020 feche com 16.990 novos casos de câncer em homens e 16.470 novos casos em mulheres. Entre as mulheres, a maior incidência é o câncer de mama. Tanto, que somente em Santa Catarina, conforme o Inca, o ano fechará com pelo menos 3.340 novos casos da doença.
E é justamente a partir deste cenário que a campanha do Outubro Rosa 2020 coloca em debate a necessidade emergencial de prevenir e diagnosticar o câncer de mama com a maior precocidade possível. No centro da campanha está a lei 13.896, de 30 de outubro de 2019, que busca garantir o diagnóstico de câncer em até 30 dias após a solicitação médica. Até então, o período mínimo de espera para o início do tratamento através do Sistema Único de Saúde era de 60 dias.
“Mulher, faça o autoexame, peça para o seu médico o exame clínico das mamas. Insista, se necessário. Não deixe para depois e não aceite o ‘não’. O diagnóstico precoce salva muitas vidas”, adverte a presidente estadual das Redes Femininas de Combate ao Câncer de Santa Catarina, Sônia Maria Rieg Fischer.
Apesar da pandemia, todas as entidades espalhadas por Santa Catarina irão fazer algum ato para marcar a data. Em Braço do Norte, uma missa na tarde da última quinta-feira marcou o início do Outubro Rosa. A celebração ocorreu na Igreja Matriz.
A ideia da presidente Rosinete Michels é aproveitar o Dia D da Câmara de Dirigente Lojistas (CDL) para também promover ações de prevenção e conscientização. “Assim que confirmarmos a data, anunciaremos. Com a pandemia, precisamos ser mais cautelosas”, preocupa-se.
As Redes Femininas de Combate ao Câncer de Santa Catarina atendem pelo menos 100 mil mulheres com exames preventivos por ano. Espalhadas em 58 cidades catarinenses, estes grupos disseminam informação, exames e apoio psicológico através de uma teia formada por mais de 2,5 mil voluntárias.
Em Braço do Norte, a sede da Rede Feminina de Combate ao Câncer do município foi inaugurada no dia 6 de junho de 1994. Desde então, um batalhão de mulheres veste o rosa da empatia, da união e da solidariedade e passam para frente a ajuda que um dia receberam.

Diagnóstico precoce garante sucesso no tratamento

A incidência de câncer de mama é crescente no mundo. Por outro lado, atenta o ginecologista, obstetra e mastologista Rodrigo de Jesus Lenharte, que atende na Rede Feminina de Combate ao Câncer de Braço do Norte, a taxa de mortalidade felizmente vem caindo cerca de 1,8% por ano.
O principal motivo? O diagnóstico precoce somado aos tratamentos cada vez mais efetivos. No mundo, a sobrevida média de uma paciente com câncer de mama é de 90%, ou seja, a cada 100 mulheres, 90 delas estarão vivas nos cinco anos seguintes a finalização do tratamento.
“No Brasil, a taxa de sobrevida é em torno de 75% das pacientes em cinco anos. Isso porque aqui o diagnóstico ainda é feito tardiamente. Geralmente a doença já está mais avançada e exige tratamentos mais agressivos”, lamenta é o médico.
Daí a luta das Redes Femininas de Combate ao Câncer em conseguir, efetivamente, o cumprimento da lei que garante o acesso precoce ao diagnóstico e também ao tratamento.
O médico ressalta ainda que o diagnóstico precoce garante sobrevida de 99% em cinco anos para as pacientes, pois o nódulo geralmente tem um tamanho bem pequeno e está, na maioria dos casos, restrito às mamas.
Quando isso não ocorre e há metástase para os linfonodos (axilas), apenas 27% destas pacientes estarão vivas em cinco anos. E nos casos onde o câncer já saiu das mamas e atingiu outros órgãos, somente 8% das pacientes estarão vivas em cinco anos.

Novos casos

Localização Homens Mulheres
Próstata 1.720 –
Mama feminina – 3.370
Colo do útero – 970
Traqueia, brônquio e pulmão 1.160/ 610
Cólon e reto 1.200/ 1.150
Estômago 810/ 480
Cavidade oral 790/ 260
Laringe 470/ 50
Bexiga 610/ 120
Esôfago 490/ 170
Ovário – 260
Linfoma de Hodgkin 80/ 50
Linfoma não Hodgkin 420/ 520
Glândula tireoide 60/ 220
Sistema nervoso central 360/ 340
Leucemias 420/ 500
Corpo do útero – 300
Pele melanoma 440/ 420
Outras localizações 3.070/ 2.240
Todas as neoplasias* 12.100/ 12.030
Pele não melanoma 4.890/ 4.440
Todas as Neoplasias 16.990/ 16.470


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