60 minutos

A crônica da semana de Robson Sombrio

 

Nosso futebol, na quinta-feira, tem a duração de 60 minutos. Um jogo de futebol sempre traz as relações humanas, as emoções das pessoas, as expressões e a postura dos jogadores. Nosso futebol não tem juiz. Juiz somos nós mesmos. Se a bola pegou na mão tem que falar. Foi falta, tem que gritar. As regras são feitas pelo “achismo”. E, funciona! Tem gente irritada nesse jogo. Outros brabos que saem de campo para não brigar. Meu Tio Salezio sempre foi metido com esse negócio de futebol. Por muitos anos foi presidente e dirigente do time de Caçador. Hoje sustenta e coordena, como presidente, as atividades do futebol feminino do Kindermann/Avaí.

Nós somos felizes jogando futebol. Eu gosto é de ganhar. Quem não gosta? Na última quinta-feira dois gols. Um por cima do goleiro Aron, outro de pênalti, com categoria, é claro! Naquele momento encerrado o jogo eu percebi que talvez a felicidade fosse isso. Realizar-se dentro do possível, comemorar cada degrau vivido e perdoar o que não foi vivido. Nem tudo é fácil na vida, nem tudo brilha como desejamos. A perfeição brinca de se esconder. Mas, agora, escrevendo, olho para trás. Que as tragédias pessoais que a gente enfrenta, as perdas, os ganhos, e pequenos arrependimentos, haviam motivos para comemorar. Aprendemos a lidar com os “nãos” do dia a dia. Ouvindo nossa voz interior, perdoando as imperfeiçoes de cada dia.

Nem tudo é perfeito, e num jogo de futebol a gente descobre a inocência de ser feliz sem se culpar por isso. Ali não nos exigimos de forma sobre-humana em prol de uma perfeição. É uma brincadeira saudável onde elimina-se caloria, ganha-se saúde. Eu, sem medo de errar, nessas quatro linhas que separam as vitórias das derrotas, já fui melhor do que Mayco, Willian, Rafael e o Zanata. Nesse ano não lembro de ter perdido um jogo para o Cebola e o Luan. E olha que eles jogam bem, mas, quando estão no meu time. Com Bruno e eu no mesmo time ninguém ganha. Bom mesmo são as brincadeiras depois e o churrasco feito pelo Djavan.

A vida não é um roteiro programado. A nossa vida passamos a limpo todo dia. Num gesto simbólico eu escrevi esse texto. Agora estou fazendo as pazes com a alegria, não aquela misturada com a euforia. Sorria de si para si, a vida é o que fica fora da linha, aceite os erros de passes, chutes para fora do gol, aceite as pequenas rugas que começam a surgir, a vida reserva presentes inesperado pelo caminho. A vida não está aqui para ser suportada, e sim enfrentada.


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