Venezuelanos procuram emprego em São Ludgero

Família chegou em São Ludgero há duas semanas, e está à procura de uma oportunidade de emprego e uma casa para alugar

Fugindo da fome e miséria, e com a esperança de uma vida melhor, venezuelanos desembarcam em São Ludgero. O município acolheu primeiro um casal há três meses, e há duas semanas chegou à família de Jesús Llovera, com sua esposa, dois filhos e dois netos de seis e quatros anos.

A família saiu com a ajuda da igreja de Roraima, estado do Brasil que faz fronteira com a Venezuela, e desembarcou no aeroporto em Florianópolis. “Moramos um mês em Roraima e depois seguimos para cá. O pai dos meus netos veio primeiro, ele arrumou um emprego e nos trouxe. Estamos morando tudo na mesma casa, somos em oito pessoas e apenas um está trabalhando para sustentar a casa”.
A reportagem da Folha esteve na casa da família, e durante mais de uma hora de conversa, a palavra que mais se ouvia era “trabalho”. Esse é o foco dessa família. Com a ajuda da Secretaria de Assistência Social, que presta apoio com atendimento na área da saúde e com alimentação, a família segue distribuindo currículo pelo município. “Nós queremos é trabalho, no que for possível, não temos medo de trabalhar, queremos qualquer coisa. Viemos para cá em busca de uma vida mais digna, já sofremos muito na Venezuela, vimos muitos amigos morrerem, a realidade lá é muito triste, não há comida, não há dinheiro, não há remédios. Não queríamos deixar o nosso país, nossa vida na nossa terra. Mas essa situação toda nos forçou a sair, saímos por uma questão de necessidade”, conta Jesús com os olhos cheio de lágrimas. Ele conta que no seu país, já atuou como policial, e que antes de vir para São Ludgero, trabalhava em uma empresa de reciclados. “Se conseguíssemos tomar o café da manhã, sabíamos que naquele dia não iríamos almoçar e nem jantar. Essa era a nossa realidade na Venezuela”, recorda Jesús.
Além de um emprego, a família está com dificuldade de achar uma casa para alugar no município. “Primeiro precisamos arrumar um trabalho, e depois queremos achar uma casa. Aqui onde estamos é bem pequeno, estamos espalhando colchões pela casa para dormir”.
A chegada no município tem ajudado a amenizar o sentimento de tristeza da família, que começa a dar lugar à esperança. “Aqui é outro mundo, recebemos muitas doações, muita comida, roupas, as pessoas têm um coração muito bom. Estamos gostando de morar aqui, não queremos mais ir embora. Se Deus quiser, vamos conseguir emprego, aqui encontramos a chance de reconstruir a nossa vida”.


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