Terapeuta japonês cria instituto em SRL

Katsumasa domina diversas técnicas de massagens orientais e há dois anos mora em Santa Catarina

A criação de um instituto cultural na localidade de Santa Bárbara, 23 quilômetros da sede de Santa Rosa de Lima, é a proposta do terapeuta Katsumasa Egoshi, 45 anos, que há 20 deixou o Japão e há dois anos mora em Santa Catarina. Mestre em Reiki e campeão mundial de Xadrez, procura parceiros que queiram montar com ele uma vila autossustentável aos pés da Serra Geral. Acredita que a felicidade está em morar próximo à natureza e cercado de boas companhias. “Tenho certeza que encontrarei aqui pessoas que pensam como eu, que sonham em compartilhar conhecimento e construir uma convivência feliz e saudável em grupo”, resume o japonês.

Katsumasa nasceu na cidade de Marugame, região de Kagawa, 800 quilômetros ao sul da capital Tóquio. Com uma saúde fragilizada, desde criança convivia com terapeutas, conhecedores da medicina oriental. Esta proximidade fez com deixasse sua casa e morasse na adolescência com mestres que o repassaram técnicas de curas milenares, como o Shiatsu, Seitai e Anma, além do Reiki.

Antes de completar 18 anos, decidiu conhecer o mundo. Seu ponto de partida foi a Suíça, onde morou por alguns meses. Depois de realizar um circuito por países da Europa, viajou para o norte da África e por fim para os Estados Unidos. Trabalhou nos mais diversos empregos, todos para adquirir experiência. Praticava a partilha de conhecimento e depois de 18 meses, voltou para o Japão. Por mais um ano, juntou dinheiro para novamente empreender viagem. Foram dois meses pedalando pela China. No oriente, ainda esteve na Tailândia, depois, embarcou para a Suécia, voltou para os Estados Unidos e, finalmente, encerrou os oito meses de experiência no Canadá.

A cada país que visitava aumentava o desejo de criar uma comunidade de pessoas que pensassem como ele e nela implantar um instituto cultural. “Ali poderíamos desenvolver todos os tipos de trabalhos. Não só o da cultura japonesa, mas de todo o mundo, oferecendo atendimento para aqueles que queiram buscar saúde e conhecimento em todas as áreas”, detalha Katsumasa.

Em busca do sonho

O terapeuta buscou durante três anos realizar o sonho de construir uma vila autossustentável no próprio Japão. Porém, a superpopulação do país – em 2000 era de aproximadamente 130 milhões de pessoas – tornou inviável financeiramente aquisição de uma boa área de terra, que lá é muito valorizada. “Se comparada ao Brasil, que tem mais de 200 milhões de habitantes, pode parecer pouca gente, só que o Japão é 23 vezes menor que o território brasileiro e seu relevo lembra muito a serra catarinense, montanhoso”, completa.

Katsumasa entrou em uma biblioteca a procura de um destino e viu fotos do Brasil. “Percebi que o país era gigante, com muita terra. Vi que acolhia todas as raças e que tinha gente do mundo. O que me fez decidir vir para cá foi ver as fotos do povo, em grande parte, sorrindo. Não tive dúvidas que era um povo feliz”. Poucos meses estava dentro de um avião sem falar uma palavra em português, se dirigindo para o Brasil, sem um só conhecido. Seu destino era São Paulo. Somente no voo ficou sabendo da colônia japonesa do bairro da Liberdade e foi lá o seu primeiro destino.

Meses depois e falando um pouco de português, foi para Amazônia. Adquiriu uma área de 100 hectares em Belém do Pará, no Amapá, onde construiu sua casa e começou a oferecer atendimentos terapêuticos. “O problema é que ninguém queria ir até lá. Tinha tudo quanto é bicho no local. Onça, anaconda, insetos venenosos… poucos se aventuraram a procurar atendimento neste local”. O terapeuta mudou de estratégia. Foi para o Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. Montou seu instituto e passou a atender. Convencido, montou um consultório também em Brasília e dividia entre os dois locais os atendimentos. O desgosto com o atendimento em Goiás veio em um retorno da Capital Federal. Ao chegar em seu instituto, que servia de moradia, percebeu que todos os seus bens tinham sido roubados. Desiludido, decidiu procurar outro país para atuar, indo morar no Chile.

A área seca e a convivência difícil no Sul do Chile fizeram Katsumasa decidir voltar para o Brasil. Tentaria, pela última vez, realizar seu sonho. Porém, agora, não poderia errar. Ao consultar um terapeuta, ficou sabendo da existência de um grupo semelhante ao que pretende montar em Frei Rogério, Santa Catarina. Assim, conheceu o Estado e veio parar aqui.

Leia a matéria completa na edição do Jornal Folha do Vale desta terça-feira, 30 de outubro. 


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