“Orleans é uma terra de oportunidades”

14 de dezembro de 2018

Jorge Koch, natural de Braço do Norte, e que foi vereador em sua cidade natal, avalia os dois primeiros anos de mandato como prefeito da Cidade das Colinas

 

Os 61 anos de vida do hoje prefeito de Orleans, Jorge Koch, são marcados pela sua atuação na segurança pública e na política. Ele conseguiu um fato que não é inédito, mas é bastante difícil na vida pública: ser aprovado em cargos eletivos em municípios diferentes.

Natural de Braço do Norte, ele foi um dos fundadores da ala jovem do MDB e foi eleito vereador pela sua cidade natal, quando chegou a presidir a Câmara. Ainda tentou a eleição a vice-prefeito, tendo ao seu lado, como candidato a prefeito, Joaci Nunes, mas não teve êxito. Anos depois, já na Cidade das Colinas foi eleito vereador e hoje está no cargo maior da cidade: o de prefeito. Segredo para isso? Segundo Jorge é o trabalho. “Há a vida pública e a vida privada. O meu trabalho sempre foi mais na área pública. A vida privada posso te definir como aquele cara que tem um comércio, um trabalho que quando termina vai para casa, se dedica a família e cuida da sua vida. Já o público é aquele cidadão que, além de trabalhar na sua vida profissional, ocupa outros espaços públicos. Quando estava aqui em Braço do Norte, que eu era advogado, eu estava sempre vinculado a um grupo de pessoas que estava no esporte. Eu ia para o 7 de Setembro, tinha essa paixão. Fim de semana, ainda quando podia, pegava o carro do meu pai, e ia para as festas de interior. Então, não me recolhia para dentro de casa”, recorda.

Quando saiu de Braço do Norte, Jorge foi ser delegado de Polícia em Orleans e seguiu unindo a sua vida profissional com as contribuições na vida pública. “Além da minha atividade de dia a dia, atendendo a população, cuidando da segurança, fui criando ligação com as pessoas. Fundei o Rotary Público, participo da Maçonaria, sou católico praticante e tudo isso faz com que tu sejas mais conhecido. Daí, para a vida partidária é um pulinho, pois chama a atenção. E foi o que aconteceu. O MDB me convidou para ser candidato a vereador e atuei na Câmara de 2000 a 2004”, conta o prefeito que não concorreu a reeleição, mas aceitou o convite do ex-governador Luiz Henrique da Silveira e do deputado federal Ronaldo Benedet, para ser Delegado Regional de Criciúma, onde atuou por 12 anos.

Como surgiu a sua candidatura para ser prefeito de Orleans?

Jorge – Enquanto eu estava delegado em Criciúma, continuei morando em Orleans. Ia e voltava todos os dias. Tinha a minha vida social, partidária, família e de entidades em Orleans e a minha vida profissional, como delegado Regional, em Criciúma. Em 2016, o MDB não tinha um candidato a prefeito. Na verdade, o nosso então candidato, doutor Marco, que por duas vezes foi candidato pelo MDB, na eleição anterior havia sido candidato pelo PSD. Então, houve um vácuo de lideranças no partido e ocupamos este espaço.

A que você credita o resultado positivo da sua eleição para prefeito?

Jorge – Também credito a nossa eleição, em 2016, pois houve toda aquela ação da “Lava-Jato” no Brasil e em Orleans a classe política estava mergulhada na Operação “Colina Limpa”. A população queria algo diferente, queria mudar. A minha condição de delegado veio, também, naquele momento, para contribuir. Acabei sendo o candidato e vencemos os quatro outros ex-prefeitos – numa chapa era o ex-prefeito Valmir Bratti e o ex-prefeito Padilha, na outra era o Marco com o Tinto. A vontade da mudança era tão grande que a nossa candidatura superou as dos quatro.

Estamos chegando ao fim do segundo ano do seu mandato ao lado do vice-prefeito Mário Coan, como você avalia estes dois primeiros anos da gestão?

Jorge – Avalio de forma positiva estes dois primeiros anos, principalmente no trabalho da transparência, na presença do prefeito na prefeitura e na comunidade e na negação do nepotismo – não há, em hipótese alguma, hoje, na prefeitura, nenhum funcionário que seja parente do prefeito, vice, vereador ou secretário. O nosso slogan da campanha era “Governo sério, muda Orleans”, então estamos fazendo um governo sério para, de todas as maneiras, mantes esta palavra dada. Tanto que, se for preciso, tomando conhecimento de qualquer irregularidade, tendo que cortar na carne, a gente corta. Tanto que temos diversas sindicâncias em andamento na prefeitura.

O que você pontua como marcas da sua administração?

Jorge- Além destas ações morais, o nosso IDEB, por exemplo, era o mais baixo da Amrec. Era um sonho nosso, mudar o nosso sistema do MEC para o sistema da Apostila Positivo. Então, compramos a apostila no primeiro ano. Investimos R$ 400 mil em 2017 e mais R$ 468 mil em 2018. São quase R$ 900 mil que investimos num modelo de educação, para melhorar o IDEB e a qualidade de ensino. Esse dinheiro deixa, muitas vezes de fazer uma escola, que é uma obra física, mas o nós queremos preparar o nosso aluno para o futuro, dando condições de igualdade com quem estuda na escola particular. Na saúde, investimos 23% da nossa receita para melhorar o atendimento e a qualidade. Mesmo assim é muito difícil, pois a demanda é muito grande. Temos oito Estratégias de Saúde da Família, com um médico cada um, atendendo oito horas por dia, batendo o ponto. O hospital era um grande problema e continua sendo. Mas, conseguimos levar o Edvan Della Giustina, que é daqui de Braço do Norte, e fez um bom trabalho no Hospital Santa Teresinha, e hoje é o administrador hospitalar e a prefeitura é uma grande parceira do Santa Otília. São repassados quase R$ 270 mil mensais para o hospital.

A infraestrutura de Orleans também recebeu grandes investimentos?

Jorge – Estamos realizando um bom trabalho nas estradas do interior, posso afirmar que talvez tenhamos as melhores estradas, da Amrec e Amurel, em relação à qualidade das vias. Isso era um compromisso nosso, para manter o agricultor cada vez mais vinculado à sua propriedade, dando condições de ele e a sua família permanecerem no meio rural. Orleans tem 540 KM² de extensão territorial e a nossa atividade agrícola é muito forte. Essa vai ser uma das melhores safras de fumo. A nossa avicultura é muito forte, assim como no gado de leite, onde produzimos cerca de 80 mil litros de leite por dia. Esse leite é transportado para os laticínios da região. Infelizmente, não temos uma empresa de beneficiamento em Orleans, mas a Auriverde está com um projeto para construir uma unidade, para resfriar o leite e transportar para Pinhalzinho, para beneficiar na Aurora, que faz parte do complexo da Auriverde.

A população de Orleans tem notado também os investimentos em pavimentação asfáltica. Vai vir mais asfalto pela frente?

Jorge – Nós adquirimos um britador, no valor de R$ 580 mil. Nós britamos a pedra que serve para a base e sub-base do asfalto. Adquirimos também, em consórcio com sete municípios, uma usina de asfalto, no valor de R$ 2 milhões. Orleans foi o primeiro município a utilizar a usina. Realizamos a reforma funcional e a pavimentação das principais ruas do centro da cidade. Vamos ter mais. Devemos assinar um contrato com a Caixa, de um financiamento de pavimentação. Esperamos, até o fim de 2020, fazer mais de 20 quilômetros de asfalto em Orleans.

Vocês investiram R$ 300 mil no Natal de Orleans. Por que colocar tanto recurso numa ação como esta? O retorno deste investimento já está acontecendo?

Jorge – Orleans não tem tradição em nenhuma festa regional e estadual. Braço do Norte tem a Feagro, Criciúma tem a Festa das Etnias, Urussanga a Festa do Vinho… Por esta razão, em 2017 resgatamos a Semana Cultural. Ano passado, percebi que precisávamos fazer um bom Natal, para buscar talvez este vácuo que há na cidade. Que foi um Natal muito bom. Com o sucesso do ano passado, fomos a Gramado e contratamos uma empresa de lá. Trouxemos 11 trabalhadores desta empresa que ficaram 45 dias trabalhando a decoração do Natal. Investimos R$ 300 mil para chamar a atenção da região e de Santa Catarina. Estamos mostrando que Orleans existe e que é uma terra de oportunidades. E o retorno já está acontecendo. Recebemos uma loja da rede Líder de Atacados, estamos recebendo a rede São Pedro, que é de Urussanga. A Auriverde está investindo com uma fábrica de suínos e aves. E outras empresas já mostram interesse em se instalar na nossa cidade. Orleans é uma cidade encantadora, boa de morar e que tem boas perspectivas de crescer ainda mais.

 


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