“O que eu mais estimo é a sinceridade”

Médico cirurgião plástico, Alexandre Alberton, que é natural e atende em Rio Fortuna, conta a sua história na medicina

 

Alexandre era criança, nem se lembra bem, mas sua mãe sempre conta que ele dizia que, quando crescesse, seria duas coisas na vida: pai e médico. O tempo passou, os desejos se inverteram na ordem, mas se realizaram. O riofortunense Alexandre Alberton primeiro se tornou médico e, para completar o sonho da criança inocente que dizia a mãe o que seria quando grande, depois foi pai.

Após completar o Ensino Médio e, quando escolher a carreira é uma dúvida para os adolescentes, para Alexandre era uma certeza: iria cursar medicina. A entrada na Universidade não veio no primeiro “teste”. Ele não passou no curso escolhido, mas foi aceito na faculdade de Farmácia e Bioquímica. Para não ficar parado e por incentivo do pai, ingressou no curso. Mas, logo viu que não era aquilo que queria. Depois veio a aprovação no Vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc) para medicina, no segundo semestre. Como aprovado e com um pequeno conhecimento em anatomia, adquirido no curso de farmácia, foi convidado pelo médico que atuava em Rio Fortuna para assistir as cirurgias que ele realizava no hospital. Daí veio a sua primeira ligação com a área que seria a sua primeira especialização, em cirurgia geral, também pela Ufsc.

Após a formatura, veio o chamado da sua terra natal para atuar em Rio Fortuna, pois o médico que atuava no hospital estava saindo. “Eles precisavam de alguém que operasse, pois o outro médico que estava lá não operava. Como eu estava terminando a especialização em cirurgia, eles me abraçaram e disseram ‘vem’. Meu pai não queria. Ficou receoso e me alertava que ‘santo de casa não faz milagre’. Sabe como é pai né”, recorda Alexandre que aceitou o convite dos gestores do hospital de Rio Fortuna, onde atende até hoje.

Com quase 30 anos de formado, o médico é o entrevistado desta semana do Café da Folha. Ele contou um pouco da sua história e falou das especialidades que hoje atende em Rio Fortuna.

 

Como surgiu o seu interesse pela especialização em cirurgia plástica?

Alexandre – Como falei, Rio Fortuna me abraçou para trabalhar no hospital do município. Eu queria continuar, assim que formado, em seguida, e fazer a especialização em cirurgia plástica. Durante o curso, nunca fiquei focado só na faculdade. Faltava aula, às vezes, para acompanhar cirurgia plástica com o médico Roque Batista Velho, em Florianópolis, desde a quinta fase até o fim do curso. Nas férias, aqui, acompanhava as cirurgias. Fui acompanhar ortopedia e outros tipos de cirurgia, mas a que eu sempre gostei foi a cirurgia plástica. Eu sempre gostei desta área, mesmo antes de formado. Mas, quando me convidaram para vir para Rio Fortuna, há 26 anos, o que eu ia fazer de cirurgia plástica aqui? Nada! Não tinha nem anestesista.

 

Você, em Rio Fortuna, ganhou reconhecimento pelos partos que fazia. Como foi este período?

Alexandre – No começo, em Rio Fortuna, eu vim para trabalhar com a cirurgia, mas atendia de tudo. De criança a adulto. Foi quando começou a aumentar a demanda por atendimentos de gestantes e de ginecologia. Então, me especializei, por necessidade, em ginecologia e obstetrícia.

 

E o primeiro atendimento, se é que podemos dizer assim, em cirurgia plástica surgiu efetivamente quando?

Alexandre – Há cerca de 15 anos, a minha esposa quis fazer uma cirurgia plástica. Falei com o eu colega de residência, doutor Paulo Mendes. Quando ele estava fazendo o procedimento ele me questionou porque eu, que sempre acompanhei cirurgia plástica, não estava fazendo. Ele me motivou a acompanhar as cirurgias plásticas. Todas as semanas, eu ia para Florianópolis acompanhar e atuar na área. Depois de um tempo, comecei a fazer os procedimentos aqui em Rio Fortuna, mas eu era questionado por não ter o título de cirurgião plástico. Aí fiz a especialização e recebi o título e sou membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

 

O paciente que vai em busca da cirurgia plástica, geralmente, quer se sentir melhor e muitas vezes esse procedimento é visto como a realização do sonho. Como você observa a sua responsabilidade diante disso?

Alexandre – Olha, o que eu mais estimo, seja na minha profissão ou fora dela, é a sinceridade. Jamais tentar ludibriar, enganar ou oferecer alguma coisa que eu não possa fazer. É preciso ser franco com o paciente. Mostrar os prós e os contras do procedimento. Falar a realidade. Quero ver, depois, a pessoa feliz. Não há nada melhor que isso: ver a satisfação do paciente, que está realizando o seu sonho.

 

Enquanto cresce a procura por atendimentos em grandes centros, você está, digamos, na contramão, atendendo em Rio Fortuna. Como o paciente pode confiar que no interior de Santa Catarina terá um atendimento tão bom, se não melhor, que na capital, por exemplo?

Alexandre – Uma das premissas e missões do médico é preservar vidas. Tenho uma visão otimista e muito sincera diante disso. Posso garantir que o Hospital de Rio Fortuna está muito bem montado para fazer os procedimentos de cirurgia. O nosso centro cirúrgico foi construído novo e atende as regras de segurança hospitalar. A aparelhagem é muito boa e de qualidade. Estamos bem equipados. Mas, aí vem aquela questão: não tem UTI. Não tem, mas em nestes 26 anos de atuação em Rio Fortuna, precisei uma única vez de leito em UTI, por complicação clínica, durante uma cirurgia. Na verdade, em cirurgia plástica nunca precisei transferir para a Unidade de Terapia Intensiva.

Hoje quais são os procedimentos que você mais realiza?

Alexandre – A que há mais procura é por prótese de mama. Depois lipoaspiração, abdominoplastia – que quase sempre é feito a lipo junto. Também há grande procura por cirurgias de correção de orelha, nariz, pálpebra e lifting.

 

Todos estes procedimentos são realizados em Rio Fortuna?

Alexandre – Sim. Todos em Rio Fortuna e eu, uma vez por semana, continuo atendendo em Florianópolis.


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