O câncer abateu Abrão Aspis

Doença que o escritor mais abominava e o levou no dia 31 de dezembro. Gaúcho frequentava Gravatal há mais 20 anos e fundou a Academia Gravatalense de Letras

O ex-colunista da Folha Vale e presidente da Academia Gravatalense de Letras (AGL), Abrão Aspis não conseguiu vencer a doença qual ele mais “odiava”. No último dia de 2018, o gaúcho, que há 20 anos adotou Gravatal como sua “segunda casa”, faleceu, aos 82 anos, em Porto Alegre.  Ele estava em tratamento contra um câncer no pâncreas, descoberto em agosto.

Em 2012, após perder a sua amada Marlene Kohler Aspis também para o câncer, Aspis escreveu o artigo “A vida, a morte, a evolução”, publicado na Folha do Vale, onde falava da sua angústia e tristeza de ver a esposa e a mãe morreram da doença que, por infelicidade, também o levou.

Autor de 12 livros e tradutor de outros oito, o escritor nasceu em 24 de setembro de 1936, na Capital. Formou-se em Engenharia Civil em 1962 e foi funcionário da Petrobras entre 1963 e 1994.

Torcedor do Inter, foi conselheiro do clube por 16 anos e também presidente da Fundação de Educação e Cultura do Internacional (Feci), onde, além de gerenciar uma biblioteca com 50 mil títulos, criou e executou diversos projetos na área de literatura, registro histórico, música e artes plásticas.

Depois da aposentadoria, Aspis dividiu-se entre as residências em Porto Alegre e Gravatal, onde fundou e foi o primeiro presidente da AGL. Viúvo de Marlene Kohler Aspis, que batiza a Biblioteca anexa à secretaria de Turismo de Gravatal, o escritor deixa os filhos, Marcelo e Daniela e o neto, Paulo Elias.

O sepultamento ocorreu segunda-feira, no Cemitério União Israelita Porto Alegrense

A vida, a morte, a evolução

Por Abrão Aspis

Eu só assisti à morte, o rito da passagem, pessoalmente, de duas pessoas. Justamente as duas que mais amei: a de minha mãe, Rosa Szendel, em 1958; e a da esposa Marlene, em 2011.

Morreram ambas da mesma doença: o abominável, o demoníaco câncer.

Minha mãe morreu sete meses após a doença ser diagnosticada. Neste espaço de tempo eu pensava comigo: “Toda a ciência mundial, nos Estados Unidos, na Europa, está estudando a cura, o remédio contra o câncer. Em um mês, ou dois, o remédio vai ser descoberto e salvará minha mãe”. Ledo engano! Não só a cura não foi descoberta neste período, nem seria nos próximos 50 anos, pois em 2008 a doença aconteceu com a dona Marlene, e a levou depois de dois anos e meio de luta.

O mundo gasta bilhões e bilhões de dólares em pesquisas, mas não consegue domar o terrível mal.

E nestes últimos 50 anos, como o mundo prosperou! Foram descobertos, ou inventados, a televisão a cores, o forno de microondas, os tecidos sintéticos, as máquinas de lavar e secar, o computador, a internet, o telefone celular, os foguetes espaciais, a viagem à lua, o raio-laser e os modernos aparelhos de diagnóstico médico, como a cintilografia, a ressonância magnética e a tomografia. Nossa vida mudou completamente. A geladeira, o forno de micro-ondas, todas as máquinas domésticas, o automóvel, as viagens de avião passaram a ser de uso geral. E a vida média das pessoas passou de 50 e 60 anos para 73 e 75 anos.

Infelizmente não foi só coisas positivas que aconteceram, coisas negativas também. Surgiram novas doenças: a aids, o ebola, a gripe asiática, que matam ou infernizam a vida de tanta gente. A violência, a poluição e o terrorismo atingiram níveis alarmantes.  E para nosso maior infortúnio: o câncer não foi vencido!

 


Leave a Comment