Nova eleição da Cerbranorte fica para o final de outubro

Sumiço de back-up e falta de exigência de documentos para se associar
à Cerbranorte obriga a realização de um recadastramento mais amplo

AUDITORIA verificou que não era exigida comprovação de posse ou propriedade de imóveis
 

O administrador judicial da Cooperativa de Eletrificação de Braço do Norte (Cerbranorte) e da Cooperativa de Geração de Energia Elétrica e Desenvolvimento de Braço do Norte (Cerbranorte GD), advogado Cristiano Orlandi, apresentou à Justiça na última sexta-feira, 5 de julho, o levantamento das atividades desenvolvidas por sua equipe e uma proposta de complementação do plano de ação e de atualização do cronograma previsto. Para o administrador, são necessárias mais algumas semanas, além da prevista inicialmente, para concluir o recadastramento dos associados, para que a eleição que irá eleger o novo presidente possa ser realizada na segunda quinzena de outubro deste ano, não mais em 30 de agosto.
Pelo cronograma apresentado à Justiça, a partir desta semana boa parte dos associados que no último ano transferiram a titularidade ou solicitaram novas ligações, cerca de 1.000, começam a receber em suas residências uma correspondência solicitando que regularizem seu cadastro sob pena de serem excluídos do quadro de associados. Após a notificação, terão 10 dias para levar a documentação que comprove a posse ou propriedade dos imóveis objeto de requerimento de ligação ou de transferência de titularidade de unidade consumidora.
Para chegar a este número de associados a serem auditados, os trabalhos foram iniciados em 20 de maio com a verificação e análise dos documentos e registros, físicos e digitais da totalidade de novas ligações, reativações e transferências de titularidade realizadas entre 1 de junho de 2018 a 16 de janeiro de 2019. Inicialmente buscou-se o levantamento e o cruzamento de dados dos sistemas de informática da cooperativa, tendo por objeto a identificação do universo dos casos a serem auditados.
“Com o desenvolvimento do trabalho, verificou-se, em relação ao período objeto da auditoria, a existência de 503 processos de novas ligações e 1.320 processos de trocas de titularidade, totalizando 1.823 processos a serem auditados, tendo os procedimentos de auditoria se iniciado sobre esta base”, diz no seu parecer o administrador. Constatou-se mais tarde, durante a análise documental, que os processos de novas ligações, quando realizados sobre unidades de consumo pré-existentes desligadas e em nome de nova pessoa, geravam dois processos, um relativo à troca de titularidade e outro relativo à nova ligação. “Havendo, portanto, uma superposição entre alguns processos de novas ligação e alguns processo de troca de titularidade o que demandou novas diligências junto aos fornecedores dos sistemas de informática no sentido de aprimorar a verificação da base auditável, assim como da base eleitoral, alguns deles ainda pendentes de finalização e checagem”, complementou Cristiano.
Buscou-se verificar também, entre todos os casos a serem auditados, quais deles tinham por objeto cooperados potencialmente aptos a votar no próximo pleito, de modo a priorizar a auditoria destes casos em detrimento dos demais e propiciar, desta forma, a maior celeridade possível no encaminhamento do novo processo eleitoral. “Com relação aos documentos físicos foram localizadas e coletadas caixas contendo os processos de novas ligações e de trocas de titularidade de junho a outubro de 2018, assim como documentos relativos a trocas de titularidade de janeiro de 2019: As caixas relativas aos períodos faltantes encontram-se apreendidas pela Polícia Civil o que foi confirmado ante a verificação do respectivo Termo de Apreensão. No que tange aos documentos digitais, revelou-se que os arquivos relativos aos processos de junho a outubro de 2018 foram objeto de ataque cibernético e não estavam mais acessíveis para consulta”, diz o documento enviado a Justiça. “De fato constatou-se que os servidores da cooperativa foram objeto de uma invasão externa que criptografou boa parte dos dados da empresa, o que foi seguido de uma tentativa de extorsão para liberação de senha de recuperação dos dados”, o administrador ratifica ainda que esta invasão foi devidamente registrada em Boletim de Ocorrência na Delegacia. “Em virtude do hackeamento, ao tentar acessar os processos cujos documentos estavam criptografados, o sistema acabava por gerar um erro e subsequente travamento, o que gerou morosidades nas consultas”, justifica parte da demora.
O período de junho a outubro de 2018 é que justifica a necessidade do recadastramento total deste período, pois, além do hackeamento, a cópia dos documentos dos processos (back-up dos arquivos), não foi encontrada, apesar das diligências de procura. Não obstante os percalços encontradas, a auditoria documental, foi sendo realizada sobre a base inicialmente estabelecida e sobre os documentos existentes e encontra-se, aproximadamente, 80% concluída.

Documentos não comprovam titularidade dos imóveis

“Em que pese ainda não estar integralmente finalizada, a auditoria documental já permitiu verificar, satisfatoriamente, que os procedimentos até então utilizados pela cooperativa para verificação e validação da posse ou da propriedade do imóvel objeto do pedido de ligação de energia ou de transferência de titularidade não eram, na maioria dos casos, suficientes para comprovar tal condição jurídica, ou seja a posse ou propriedade”, Avalia Cristiano Orlandi, sobre o que observa até o momento.
O administrador lembra que atualmente, e ao longo de todo o período auditado, o que foi corroborado pelas informações obtidas com os funcionários e pelas instruções contidas no site da Cerbranorte, é exigido do requerente, em relação ao imóvel objeto da troca de titularidade, um documento comprobatório da posse ou uma mera autorização de transferência da titularidade assinada pelo titular anterior. “Sendo que tal autorização era frequentemente utilizada e aceita como único documento relativo ao imóvel, impossibilitando certificar a condição da posse ou da propriedade do requerente em relação ao imóvel. As condições encontradas ao longo do trabalho até o momento realizado, seja pela inexistência de documentação relativa à maior parte do período sob análise, seja pela insuficiência dos documentos regularmente”, alerta o advogado.
De tal modo, Orlandi alerta dizendo que “Diante desta realidade, seria temerário proceder, neste momento, com a eliminação ou exclusão direta de todos os cooperados cujos processos não foram validados, sendo mais prudente realizar um recadastramento prévio”. Para tanto se coloca em prática o recadastramento.


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