Motorista que sobreviveu a queda em ribanceira morre ao pagar promessa

Quatro peregrinos que seguiam a pé em direção ao Santuário de Santa Albertina, em São Martinho, foram atropelados na madrugada da Sexta-Feira Santa

Jean Carlos Savi Mondo, de 40 anos, e seu cunhado, Josemar de Bona, o “Má”, de 30 anos, faleceram na madrugada de sexta-feira, 19 de abril, por volta das 3h30min, após serem atropelados quando caminhavam às margens da Estrada Geral São João de Capivari, em São Martinho, pela caminhonete Mitsubishi L200 conduzida por um homem de 38 anos morador da localidade. Natany Catanio Recardo, de 24 e Beatriz Savi Mondo, de 32 anos, irmã de Jean, também foram atingidas. Elas sofreram escoriações, foram atendidas pelos bombeiros e liberadas. O grupo que havia deixado a comunidade de Serrinha, interior de São Ludgero, se dirigia em penitência em direção à comunidade de São Luiz, onde está localizado o Santuário de Santa Albertina.

EM ABRIL de 2018 Jean sobreviveu a queda em ribanceira

Jean, em 06 de abril de 2018, se dirigia no final da tarde com um caminhão carregado de serragem de madeira para Tubarão. Ao passar pela localidade conhecida como Morro do Corte, em São Ludgero, acabou tombando o caminhão e caiu em uma ribanceira. Com várias costelas quebradas, rastejou alguns metros e passou a noite ao relento. Somente no outro dia, por volta das 6h30min, um morador que transitava pelo local escutou os pedidos de socorro e chamou por ajuda.
Como forma de agradecer o milagre de ter sobrevivido, em outubro do ano passado, Jean, que é casado e pai de uma garota de 18 anos e uma criança de cinco anos, foi caminhando até Treze de Maio onde existe uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, no alto de uma colina. Após esta caminhada recebeu uma notícia que o deixou mais feliz. Jean, que era filho adotivo, teria localizado vários tios e primos que não conhecia. Ainda ficou sabendo que sua mãe biológica falecera dois anos atrás, mas que tinha uma irmã. A alegria era tanta que em fevereiro deste ano acabou indo ao encontro dos familiares.
Para celebrar este momento feliz, Jean que era casado com Sônia, irmã de Má, começou a organizar os detalhes da nova caminhada. Outra irmã de Josemar, Simone De Bona, e o amigo, Adriano Eleutério, formariam o grupo de seis pessoas, que tinha como apoio Sidnei Vicente, que já fez a caminhada por três oportunidades e, desta vez, daria o suporte de carro. Eles saíram da Serrinha por volta das 19h10min de quinta-feira.
“Jean estava muito alegre. Falava a todo momento que naquele dia faziam exatos dois meses que teria conhecido a irmã”, recorda Natany, outra vítima do acidente e última a aceitar participar da peregrinação. “Paramos uns dez minutos antes do atropelamento. Fizemos um lanche e reiniciamos a caminhada. Como os pés doíam, Má trocou os sapatos pelos chinelos que estavam no carro de apoio. Por isso, ficou para atrás”, conta.
“A lua estava bem forte e o céu bem claro. Não havia neblina alguma no momento do impacto”, faz questão de lembrar Natany. “O Jean era caminhoneiro e a todo momento dizia para a gente caminhar no acostamento. Onde não dava para passar pelo lado, por causa do mato que toma parte da pista, ele pedia para a gente esperar acalmar o movimento e passar rápido. Estávamos tomando todo o cuidado”, frisa a jovem.
O local do acidente é reto e com boa visibilidade. Naquele ponto, Simone e Adriano estavam cerca de 500 metros mais à frente dos quatro. Beatriz, que até minutos atrás estava por último, desta vez puxava a fila. “Eu vinha uns passos atrás dela. Logo atrás estava o Má e por último Jean. Caminhávamos no trilho lateral a pista”. Natany lembra com exatidão do local do acidente porque havia uma plantação a direita e eles caminhavam por esta estradinha de chão para, justamente, evitar qualquer acidente, já que além de carros e pedestres, era grande o número de ciclistas e motos passando no local.
“Não deu tempo de nada, só percebi quando algo me derrubou. Acredito que tenha sido o Má, pois se tivesse sido o carro, o impacto teria sido mais forte. Com a batida, meu corpo foi jogado sobre a ‘Bia’. Foi tudo muito rápido”, detalha Natany. Com a força do impacto, Jean foi atirado a uns 15 metros para o mato, a direita. Má, ficou deitado à frente de onde as garotas caíram, no acostamento. O motorista perdeu o controle da direção e bateu em uma árvore que estava na mão contrária. “Não vi quem dirigia, só que saia muita fumaça do carro”, relata a jovem que foi levada, juntamente com Beatriz, pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ao hospital de Armazém.

Caso segue sob investigação
O motorista foi encaminhado com fratura para o Hospital Santa Teresinha, de Braço do Norte. De acordo com a Polícia Civil, o caso segue sob investigação, e nos próximos dias uma perícia deve apontar a velocidade que o condutor estava no momento do atropelamento.
O delegado responsável pelo caso, André Crisóstomo, confirmou que o motorista se negou a fazer o exame. Mas, ele também afirmou que a médica que atendeu o motorista no hospital de Braço do Norte, confirmou que ele não apresentava sinais de embriaguez.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a próxima etapa da investigação, é a perícia que vai ser feita já nos próximos dias, para apontar a velocidade que o condutor estava no momento do atropelamento.
Má que era separado e tem uma menina de sete anos, atuava como pedreiro. Era músico e cantor nas horas vagas. Foi sepultado sábado no cemitério de São Ludgero. Já Jean, foi sepultado em Tubarão.


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