Especialistas unidas pela saúde

26 de outubro de 2018

No Outubro Rosa, Ginecologista e obstetra Karla Conceição e pediatra Joana Prá alertam para riscos e prevenção de cânceres

Outubro é sempre marcado, para as mulheres, como o mês rosa. O mês de prevenção dos cânceres e das doenças, especialmente as que atingem o público feminino. Em Braço do Norte, as médicas Karla Conceição, que é ginecologista e obstetra, e Joana Prá, pediatra, se uniram no mesmo espaço, no mesmo consultório. E, mesmo atuando em especialidades tão distintas, as profissionais se uniram para alertar as mulheres sobre a prevenção e os cuidados para manter a saúde em dia.

Karla, que é formada pela PUC-Paraná, atua há 23 anos em Braço do Norte. Desde pequena, falava na família que queria ser médica e se viu dentro da faculdade de medicina quando tinha apenas 16 anos. “Comecei a faculdade, fui gostando e sou apaixonada pela minha profissão. Sou a primeira médica da família. O meu despertar pela ginecologia e obstetrícia veio por influência de uma tia do meu então namorado, ainda na época da faculdade. Eu a acompanhava nos congressos e o interesse pela área surgiu”, conta Karla.

Joana é formada em 2012, pela Unisul e fez especialização no Hospital Infantil Joana de Gusmão, de Florianópolis. Também não tem influência familiar para a escolha da medicina. Mas, o despertar para a especialidade tem. “Eu queria fazer especialização em cirurgia. Na época, meu pai passou por uma fase difícil e quase faleceu, em decorrência de uma cirurgia, e eu perdi o encanto pela especialização. Nesta mesma época, estava fazendo o estágio na pediatria e fui muito bem acolhida. Também via que eram os professores da pediatria que trabalhavam de bom humor e isso me encantou”, recorda Joana que há três anos atua em Braço do Norte.

De onde surgiu o interesse e a oportunidade de vocês se unirem no mesmo espaço?

Karla – Acho que uma coisa complementa a outra. Mas, acredito que uma das razões foi da nossa amizade.

Joana – Eu já conhecia a Karla e resolvemos atender no mesmo espaço. Vimos como uma oportunidade de oferecer uma complementação para os pacientes, apesar de atendermos um público bem diferente e termos pacientes diferentes.

Nós estamos vivendo mais uma edição do Outubro Rosa, o mês que tanto é lembrada a prevenção do câncer. Estou há quase 10 anos no jornal e todos os anos escuto que cresce o índice de casos. Há que se deve isso?

Karla – Realmente, os números aumentam, mas acredito que isso é fruto de mais e melhores diagnósticos. Um dos fatores é que as mulheres estão vivendo mais. Hoje temos mais quantidade e qualidade dos mamógrafos. Por isso, os números continuam crescendo. Os livros estão ai mostrando que há fatores de risco, por exemplo, acima dos 40 anos, a chance de ter câncer é maior e após os 50 anos, aumenta 1% por ano. O que precisamos conscientizar é sobre a importância do diagnóstico precoce, pois se descobrirmos cedo, a sobrevida, a cura, será muito melhor. Com menos agressão, menor corte, menos quimio. Nisso os mamógrafos têm contribuído muito por apresentar imagens melhores para o diagnóstico. Pois quando a pessoa chega a sentir o nódulo, o câncer está num estágio mais avançado.

Quais são os fatores de risco para o câncer?

Karla – Santa Catarina é o segundo estado com maior índice de câncer de mama. Há vários fatores que são levantados, mas posso dizer que sobrepeso aumenta as chances e a obesidade duplica. Outros fatores são tabagismo e o consumo de álcool. Por outro lado, o nosso estado é o que tem a melhor cobertura do câncer de colo do útero. O Outubro Rosa é um alerta também para isso. Chega nesta época, a mulher lembra que tem que se cuidar, que tem que fazer a prevenção.

E como a pediatria pode ser uma aliada na prevenção do câncer?

Joana – Através da amamentação. É comprovado, cientificamente, que amamentar reduz a chance de a mulher ter câncer de mama. A cada 12 meses de amamentação, reduz em quase 5% o risco, isso até a pós a menopausa. Então, não só quando se está amamentando, mas também para o futuro. Além de, quando a mulher está amamentando, na maioria das vezes, ela evita beber, evita fumar. E a amamentação aumenta a proteção para o bebê. O período ideal de gestar uma criança é de 20 a 35 anos e neste período é maior a contra o câncer de mama.

Na verdade, o que se comprova, diante do que vocês falaram, é que a amamentação, que é tão boa para a criança, também faz muito bem a saúde da mãe também?

Joana – Isso mesmo. As mulheres foram feitas para ter filhos. Algumas, por conta de vários fatores, especialmente pelo estresse, não conseguem amamentar e a criança precisa ir para a fórmula. Mas, a fórmula não é igual ao leite da mãe. Além das proteínas, vitaminas existentes no leite da mãe, que fazem muito bem ao bebê a contribuem em vários fatores, há o vínculo de amor que é criado entre os dois, que é maravilhoso.

Joana, o pediatra é visto como o médico de criança, mas até que idade o paciente deve ir ao pediatra?

Joana – Não há limite. A gente observa que a maior frequência é até os 15 anos incompletos. Mas, o paciente vai até sentir a necessidade. Se eu acompanho o paciente desde a infância, tenho um histórico dele, não há limite de idade para seguir com o atendimento.

E para ir à ginecologista, qual a idade ideal para a primeira consulta?

Karla – A gente sempre falava que a partir da primeira menstruação a menina já deve ir ao ginecologista e nos dois primeiros anos elas vão com maior frequência, pois as queixas são maiores.

 

 

 

 

 


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