Como se fez o melhor Estado do Brasil

Por Antonio Gavazzoni

Advogado e doutor em Direito Público

 

A Folha de São Paulo e o Datafolha divulgaram no domingo, 19, o Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F) que coloca Santa Catarina em primeiro lugar no Brasil entre os estados que entregam mais educação, saúde, infraestrutura e segurança à população utilizando o menor volume de recursos financeiros. No ano passado já havíamos conquistado o segundo lugar no Ranking de Competitividade dos Estados. Mas ainda pairavam dúvidas sobre a eficiência da gestão. Com esse novo e retumbante ranking, podemos bater no peito e dizer: somos o número 1.

A metodologia que nos colocou no topo do ranking considera 17 variáveis agrupadas em seis componentes para calcular a eficiência na gestão e quantificar o cumprimento de funções básicas e previstas em lei pelos governos estaduais, segundo seus recursos financeiros.

O mais relevante de todo esse reconhecimento, é que ele avalia um período de gravíssima crise econômica nacional (2015 a 2017), da qual não escapamos. O que nos fez diferentes foram as decisões tomadas nas últimas duas gestões de governo.

Não faltaram críticas sobre algumas delas. Talvez o exemplo mais emblemático seja a renegociação das dívidas com a União, puxada por nós e que acabou beneficiando todos os estados, que a partir de 2016 fecharam acordos com a União para alongar R$ 460 bilhões em dívidas por 20 anos. Ouso dizer que alguns estariam em pior colocação no ranking, não fosse a iniciativa de Santa Catarina. Mas foi uma luta árdua. Vimos a imprensa nacional voltada contra nós e muitos até dentro do governo duvidaram que poderíamos fazer. Mas fizemos.

Assim como fizemos a reforma da nossa previdência, mudamos a forma de remuneração da segurança pública, alçamos a transparência dos dados a um novo patamar, apenas para citar algumas conquistas que nos levaram até esse momento. E fizemos isso sem aumentar impostos nem atrasar salários. Não foi milagre, foi trabalho coletivo. A combinação entre indústria, serviços e impostos foi a que nos levou ao topo. O empreendedorismo dos catarinenses, com a base industrial mais diversificada do Brasil, e a decisão de não aumentar carga tributária nem no auge da crise, possibilitou que outro importantíssimo título, o de maior geração de emprego, fosse alcançado. Repito: tudo isso no auge da crise. O governo fez o seu papel e foi parceiro dos setores produtivos.

Infelizmente agora, que o pior passou, temos visto uma perigosa apatia tomar conta da administração estadual. Uma chuva de queixas e a venda de pessimismo que afasta os investidores ameaça tudo o que conquistamos em conjunto com a iniciativa privada. Antecipações salariais feitas há mais de década não foram honradas. Um alerta que precisa da nossa atenção e da nossa análise nessa véspera de eleições.

 


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