Com 48% de esgoto tratado, BN buscará ampliação do saneamento básico

Gestores da região participaram de evento do Grupo Atlantis que apresentou um diagnóstico sobre o saneamento no Estado

Cerca de 11,7% da população em Santa Catarina ainda não recebe água tratada, 77% não tem acesso à rede de coleta de esgotos, apenas 24,7% do esgoto gerado é tratado antes do descarte – o restante volta ao meio ambiente sem qualquer tratamento – e 36,6% da água produzida é perdida nas redes de distribuição. Essa é a realidade do Estado no setor de saneamento básico apresentado no evento Futuro Azul, que reuniu mais de 300 pessoas no Hotel Internacional de Gravatal, na segunda-feira, 03 de junho.
Organizado pelo Grupo Atlantis para marcar o Dia Mundial do Meio Ambiente – neste 05 de junho -, a segunda edição do Futuro Azul teve como tema “Saneamento básico: saúde e progresso ao alcance de todos”, com os painelistas Édison Carlos, presidente do Instituto Trata Brasil, deputado federal Carlos Chiodini (MDB-SC), integrante da Comissão Mista da Medida Provisória do Saneamento e Marcos Probst, advogado especialista em saneamento.

Prefeitos da região, parlamentares e profissionais relacionados ao assunto participaram do debate. O prefeito de Braço do Norte e presidente da Amurel, Beto Kuerten Marcelino, foi um dos convidados para abrir o evento. Para ele, o saneamento básico é fundamental para a qualidade de vida da população e para o próximo semestre, uma audiência com a direção da Casan será marcada para ampliação dos investimentos no tratamento do esgoto no município. “A participação dos gestores da região demonstrou a preocupação dos municípios com o assunto. Braço do Norte hoje tem 48% do esgoto tratado. Nossa estação comporta até 80% de capacidade e queremos avançar ainda mais. Nesse segundo semestre vou solicitar uma audiência com a presidente da Casan para continuar o tratamento de esgoto. Esse é nosso planejamento”, explica o prefeito.

São Ludgero é referência no Brasil com esgoto 100% tratado

Enquanto municípios da Amurel ainda não possuem tratamento na rede de saneamento, São Ludgero torna-se uma referência no país sendo um dos municípios a ter 100% do esgoto doméstico tratado nas áreas urbana e rural. Ao longo dos últimos anos, foram realizadas 3,2 mil ligações no perímetro urbano e mais de 600 instalações do Sistema Individual de Tratamento no meio rural. Durante o evento Futuro Azul, o deputado estadual e ex-prefeito de São Ludgero, Volnei Weber, enfatizou que a ação foi colocada como prioridade na cidade. “Os municípios precisam se mobilizar e colocar o assunto em debate com prioridade. Buscamos apoio da população e depois de planejamentos, nossa meta foi alcançada”, afirma.
O projeto intitulado São Ludgero 100% Esgoto Sanitário Tratado foi lançado pela Prefeitura em 2015. O objetivo era trabalhar para que todas as famílias do perímetro urbano e do meio rural fossem beneficiadas com o tratamento do esgoto doméstico.

Situação preocupante no Estado

Em análise sobre Santa Catarina, o Instituto Trata Brasil mostrou que em 2017, o estado registrou mais de 7,7 mil internações por doenças de veiculação hídrica, resultando num custo de R$ 3 milhões no mesmo ano. As dez maiores cidades de Santa Catarina gastaram juntas R$ 647 mil com 946 internações por doenças de veiculação hídrica.
“Sabemos que a mortalidade infantil cai quando se tem saneamento. Por outro lado, a falta dele leva a problemas de saúde, particularmente nas crianças, prejudicando ainda o rendimento escolar. Não conseguiremos resolver doenças vindas do mosquito sem saneamento”, advertiu o presidente do instituto Trata Brasil, Édison Carlos. Ele ressaltou que para cada R$ 400 bilhões que se investir em saneamento, o Brasil ganhará R$ 1 trilhão em saúde, melhores condições de vida e renda.
Para haver o investimento necessário, o advogado Marcos Probst defendeu, além da união do público com o privado, uma desoneração do setor para sobrar mais recursos. “Não existe modelo ideal. As coisas precisam funcionar. A Lei 11.445, de 2007, reorganizou a casa, com um ambiente regulado. Mas precisamos avançar, especialmente na questão de abrir espaço para mais investimento. E é isso o que uma nova legislação precisa fazer, com planejamento e fiscalização”.

Projeto Futuro Azul

Em 2017 o Futuro Azul teve como tema “O amanhã do planeta pensado hoje” e contou com uma palestra da jornalista Sônia Bridi, que já fez várias reportagens na Rede Globo sobre o meio ambiente, além de ser autora do livro “Diário do Clima”, que relata as suas viagens pelo mundo em busca de respostas para as alterações climáticas.

Para o presidente do Grupo Atlantis, Anderson Botega, o objetivo do evento foi atingido, “ao ampliar o debate sobre a necessidade de uma legislação com mais isonomia entre público e privado”. Ele lembrou também que o Futuro Azul é um projeto mais amplo, com ações socioambientais, “exatamente pela visão que a empresa tem de trabalhar pela qualidade de vida das pessoas”. Botega aproveitou para anunciar a expansão dos trabalhos do Grupo Atlantis para São Paulo e Paraná, que se somam aos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, onde a empresa atende 27 municípios e mais de 1 milhão de usuários.


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