Cerbranorte quer eleições mesmo sem processo julgado

Entidade entende que se reconhecidas futuramente às fraudes, outras eleições podem ser convocadas

A Cooperativa de Eletrificação de Braço do Norte (Cerbranorte Distribuição) e a Cooperativa de Desenvolvimento e Geração de Energia de Braço do Norte (Cerbranorte Geração) apresentaram, na última terça-feira, agravo de instrumento no Tribunal de Justiça, em Florianópolis, contra a decisão da 2ª Vara da Comarca de Braço do Norte, que cancelou em 15 de fevereiro as eleições e nomeou o interventor para conduzir o processo eleitoral. No pedido, solicitam a retomada das eleições de onde pararam.
O fim do mandato da atual diretoria se encerra em 31 de março, sendo que, a partir de então, a administração será incerta, uma vez que a intervenção não foi designada para a presidência, mas apenas para o processo eleitoral. O que também é questionado no recurso pela Cerbranorte, que pede ainda a manutenção da comissão eleitoral sem a intervenção.
Segundo o advogado Luiz Magno Pinto Bastos Júnior, contratado pela Cerbranorte para efetuar o agravo, diversos foram os pontos enfrentados no recurso. “Mas o principal foi o de reestabelecer as eleições que foram suspensas há algumas semanas. Argumentou-se o risco à gestão da cooperativa, se esta intervenção se perpetuasse no tempo”. Para ele, o prejuízo causado será muito maior do que a suspeita de irregularidades em alguns relógios. “Em especial, considerando o universo de eleitores aptos a votar, quase 11 mil usuários”. A expectativa do advogado é que o relator do caso, o desembargador Jaime Machado Júnior, analise o pedido liminar na próxima semana.
Se concedida a liminar, as eleições podem ser retomadas de onde pararam, ou seja, com os mesmos candidatos. Porém, o caso não estaria encerrado. Conforme consta no próprio recurso da Cerbranorte, sendo julgada procedente a ação reconhecendo as fraudes, as eleições deverão ser novamente canceladas, mas em caráter definitivo, realizando-se outras eleições.
Para o advogado Maicon Schmoeller Fernandes, que atua pela chapa opositora, existe uma tentativa da atual direção da Cerbranorte em minimizar o caso. Para ele a cooperativa não nega a existência das transferências noticiadas no processo como irregulares, mas alega que estas não teriam tanta influência no resultado do processo. “No entanto, foram apresentadas dezenas de casos à Justiça, inclusive de pessoas ligadas à própria Cerbranorte e aos candidatos, sendo que o número de irregularidades só poderá ser quantificado com a realização do trabalho do interventor, que precisa fazer o levantamento e recadastramento”. Ainda, segundo o advogado da chapa 2, foram obtidas cópias de documentos já colhidos pela Polícia Civil, onde várias pessoas confirmam que transferiram as unidades de consumo de energia, unicamente para ter direito a voto, sem ser o real consumidor de energia. “Motivo pelo qual o fato é grave e não pode ser simplesmente minimizado”, defende Maicon.
A chapa 2 também ingressou com pedido no Tribunal, solicitando o afastamento dos administradores da Cerbranorte, que também querem permanecer no cargo. Entendem que os fatos causados pelos mesmos, são de muita gravidade, não detendo os atuais gestores, condições legítimas e morais para serem mantidos nas funções. “Motivo pelo qual pedimos a intervenção judicial total na administração da cooperativa”, ressalta o advogado.


Leave a Comment