Bombeiros torcem pela venda do quartel

Comandante espera que imóvel seja arrematado no leilão que acontece em 31 de julho. Valor inicial é de R$ 853 mil

André de Araújo é comandante da Companhia do Corpo de Bombeiro Militar de Braço do Norte há pouco mais de 3 anos

Capitão André Correa de Araújo, comandante da Companhia do Corpo de Bombeiro Militar de Braço do Norte, é o entrevistado do Café da Folha desta semana. Saboreando na última quarta-feira um café oferecido pela Panificadora Philippi, falou da atuação regional de sua unidade, que atende de Gravatal a Lauro Muller, até o mirante da Serra. Sob sua responsabilidade estão outros três quarteis: Armazém, São Ludgero, Orleans. Ao todo são 10 municípios atendidos diretamente e outros como apoio. Há três anos no comando do Corpo de Bombeiros, somente em Braço do Norte tem um efetivo de 21 militares. O assunto principal do Café foi o leilão da atual sede, localizada no Centro da cidade, para a construção de um novo quartel no Bairro Rio Bonito.

O terreno onde se encontra instalado o quartel do Corpo de Bombeiros de Braço do Norte, que pertence à Prefeitura, vai a leilão novamente no próxima 31 de julho. O valor mínimo do lance diminuiu em relação ao primeiro leilão que não houve interessado no mês passado. O senhor acredita que como novo valor o terreno será comercializado?

Capitão Araújo – No primeiro leilão o valor orçado era R$ 1.150.433,25. O preço foi adequado a realidade, já que neste leilão não houve interessado. Agora, estamos abrindo um novo com lance inicial de R$ 853 mil. Acredito que pela localização, bem no Centro, pelo tamanho e pelo valor, haverá interessados nesta vez. São 20% de entrada e o restante em 24 meses. Se for a vista ainda tem um desconto. Ao optar pelo parcelamento, o arrematante, no ato do leilão, deverá efetuar o pagamento da entrada sobre o montante arrematado. O imóvel está disponível para visita. O arrematante deverá aguardar 12 meses após a arrematação do imóvel, para a sua desocupação, podendo este período ser prorrogado por mais 180 dias. O lote que estamos leiloando possui uma área de 1.011m² e, se tudo der certo, vamos para um outro terreno que tem mais de 2.500m². Lá, construiremos uma sede muito mais ampla, para melhor atender a população. Quem conhece o nosso quartel, sabe que é um local bastante apertado e antigo.

Se arrematado, qual o prazo para inícios das obras da nova unidade?

Capitão Araújo – Nossa ideia é começar em seguida. Dependemos dos tramites burocráticos para abertura da licitação do novo quartel. Não temos como começar sem dinheiro. Na verdade temos uma reserva em nossa conta. Economizamos nos últimos anos, justamente para aplicar neste empreendimento. São necessários mais de R$ 2 milhões. Uma obra de aproximadamente mil metros quadrados. Ele será construído em um terrenos que já está aterrado e pronto para receber a obra no Rio Bonito, no loteamento do seu Lauro Buss.

Quanto tempo será necessário para entregar a nova obra?

Capitão Araújo – É difícil prever. Mas acreditamos que depois que a obra iniciar, serão necessários um ano e meio, se não tiver nenhuma intercorrência. Na verdade este é também o tempo que teremos para desocupar nosso aquartelamento, segundo prazo contratual. Depois disso, teremos que pagar um aluguel.

Quanto a estrutura física, sabemos que está, de certa forma, ultrapassada, mas a estrutural. Como é o Corpo de Bombeiros de Braço do Norte em termos de equipamentos?

Capitão Araújo – Nós somos um dos quarteis mais equipados do Estado, sem dúvida, em todas as áreas. Nós temos dois caminhões novos, com tecnologia de ponta. Nossa ambulância está bem rodada, mas ainda pode aguentar uns dois anos, com certeza. Temos todos equipamentos necessários para salvamento e buscas, tanto em rio quanto na mata e altura.

Há carência de algum material?

Capitão Araújo – Felizmente, quando precisamos de um equipamento, temos condições de adquirir. Seja com recursos próprios ou com parcerias. A comunidade local nos ajuda substancialmente. Outro destaque da nossa Companhia é a comunicação. Somos exemplo para todo o Estado. O Comando Geral já esteve aqui para conferir o que fizemos. Estamos migrando da rádio comunicação analógica para a digital. Seremos uma das pioneiras do Estado. Um investimento de cerca de R$ 100 mil nos últimos anos nesta área. Vai ficar muito melhor ainda quando todas as regiões do Estado também migrarem completamente para o digital. Recentemente, sentimos como estamos bem servido nesta área. Nosso quartel foi chamado para ajudar nas buscas de uma menina que estava desaparecida em Imaruí. Uma região bastante isolada e que a rádio comunicação foi colocada à prova. Sentimos sua eficiência neste momento pois, mesmo estando distante, nosso serviço de comunicação foi perfeito.

Uma reclamação constante de vários segmentos é quanto ao efetivo. Estamos bem servidos com 21 militares?

Capitão Araújo – Não é um privilégio do Corpo de Bombeiros, mas todos os órgãos públicos estão com uma certa defasagem de efetivo. Em Braço do Norte necessitaríamos de, pelo menos, mais nove bombeiros para suprir as escalas. Apesar disso, o trabalho realizado está a contento. Hoje, por exemplo, não deixamos de atender nenhuma ocorrência. Além disso, as vistorias e análises são feitas dentro de um bom prazo, cerca de 15 dias.

Quais são as principais ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros em nossa região?

Capitão Araújo – Nossa maior demanda são os casos clínicos. Penso que de cada dez ocorrências, cinco são para auxílio a pessoas que sofreram um mal súbito. Depois, claro que são os acidentes, principalmente, envolvendo motociclistas.

Para prestar estes atendimentos, principalmente aos municípios do Vale, como está o “tempo-resposta” para este socorro?

Capitão Araújo – Aqui em Braço do Norte e nas cidades que tem uma unidade a resposta para o atendimento é rápida. Porém, se fosse possível, gostaríamos de implantar novos quarteis, entre Santa Rosa de Lima e Rio Fortuna, bem como um em Lauro Muller, no pé da Serra, no Guatá. Seriam pontos estratégicos para sua instalação para melhorar o tempo-resposta. Mas, hoje, não temos condições. Principalmente pela falta de efetivo.

Braço do Norte também se destaca pela atuação de Bombeiros Comunitários. Quantos atuam hoje ao lado dos militares?

Capitão Araújo – São cerca de 30 ativos em Braço do Norte que se revezam em escalas. Já que você tocou neste assunto, tenho uma novidade na área. Agora estaremos realizando a remuneração de Bombeiros Comunitários. A partir da semana que vem, aqueles ativos, passarão a receber um auxílio financeiro, chamado de indenização por prestação de serviço. Porém, alerto que não será um valor alto. Será cerca de R$ 150 por dia. Apesar da lei existir desde 2017, somente este mês é que o Governo do Estado liberou o recurso para este pagamento.

E quem se alguém quiser ser um Bombeiro Comunitário. O que tem que fazer?

Capitão Araújo – Tem que realizar um curso que é dividido em duas etapas. O Básico, com 40 horas, que ensina noção de atendimento e salvamento e algumas emergências. E o Avançado, que são mais 120 horas de curso que ensina a ombrear com o bombeiro militar, atuar ao seu lado. Somente depois disso é que ele pode entrar na escala de plantão. Atualmente não há previsão de nova formação.


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